Depressão aumentou nas faixas etárias mais avançadas

Estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge

16 abril 2014
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Os novos casos de depressão aumentaram nos últimos anos nas faixas etárias mais avançadas, são as conclusões de um estudo do Estudo Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
 

Conduzido por uma equipa liderada por Ana Paula Rodrigues, o estudo revelou um aumento dos casos de depressão diagnosticados nos centros de saúde entre 2004 e 2012. Os investigadores basearam-se em dados recolhidos pela rede de médicos-sentinela, que consiste num grupo de médicos que notifica casos relativos à saúde pública.
 

O aumento dos casos diagnosticados de depressão, em 2012, teve uma maior incidência nas faixas etárias dos 45 aos 54 anos nas mulheres, e dos 55 aos 64 anos nos homens. É de referir que a depressão afeta maioritariamente as mulheres.
 

Em termos globais, nas mulheres, foram registados 992 novos casos de depressão por cada 100 mil habitantes, o que corresponde a um aumento de 12% relativamente a 2004. No entanto, na faixa etária dos 45 aos 54 anos, os novos casos ascenderam aos 1700 por 100 mil habitantes, contra os perto de 1000 registados em 2004.
 

Nos homens, os novos casos de depressão ascenderam aos 347 casos por 100 mil habitantes, o que se traduz num acréscimo de 20% relativamente a 2004. Todavia, a faixa etária dos 55 aos 64 anos de idade sofreu um enorme aumento, com 800 novos casos por 100 mil habitantes, contra cerca de 300 casos diagnosticados em 2004.
 

Os autores do estudo explicaram ao Jornal Público que existe “uma coincidência temporal entre o aumento da taxa de incidência anual estimada de primeiros episódios de depressão nos cuidados de saúde primários e o agravamento das condições sociais e económicas de Portugal”.
 

Em entrevista à TSF, o bastonário da Ordem dos Psicólogos Temo Baptista, atribui este crescimento dos casos de depressão nas faixas etárias supramencionadas à crise que se tem vivido em Portugal, já que os problemas de desemprego atingiram sobretudo as pessoas de meia-idade. O bastonário apelou no sentido dos serviços públicos poderem dar resposta a quem procura ajuda para combater a depressão.
 

“Os determinantes sociais, económicos e ambientais desde há alguns anos que são reconhecidos como determinantes na saúde mental, e existe evidência de que as alterações socioeconómicas vivenciadas na última década, consequentes da crise económica e social, estão associadas ao aumento do risco de diversos problemas de saúde mental”, acrescentaram ainda os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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