Depressão aumenta risco de AVC em mulheres de meia-idade

Estudo publicado na publicação científica “Stroke”

21 maio 2013
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Um estudo de longo termo indica que as mulheres de meia-idade, ou seja, que se encontram na faixa etária dos 40 aos 60 anos de idade, e que têm depressão apresentam o dobro da tendência para sofrerem um acidente vascular cerebral (AVC) relativamente às da mesma idade que não estão deprimidas.
 

Conduzido por uma equipa de investigadores da School of Population Health da Universidade de Queensland da Austrália, o estudo vem alimentar a crescente associação entre a depressão e o risco de AVC, a qual não é considerada nas linhas orientadoras de prevenção do AVC, embora ainda não haja certezas acerca do funcionamento essa associação e se o tratamento diminui esse risco, dá conta um estudo publicado na revista “Stroke”.
 

Caroline Jackson, epidemiologista naquela universidade e investigadora principal neste estudo, sustenta que “embora o risco absoluto de AVC seja baixo nas mulheres de meia-idade, a depressão não parece exercer um efeito adverso muito significativo nesta faixa etária”. No entanto, os resultados que obtivemos sugerem que a depressão pode constituir um fator de risco de AVC em mulheres de meia-idade maior do que se pensava anteriormente”, continua.
 

Para o estudo, a equipa contou com os dados de um outro estudo sobre a saúde nas mulheres na Austrália, com base em 10.000 mulheres com idades compreendidas entre os 47 e 52 anos. As participantes foram submetidas a inquéritos sobre a sua saúde física e mental a cada 3 anos, entre 1998 e 2010. Do total destas mulheres, 24% tinham afirmado sofrer de depressão. Durante o período do estudo, 177 dessas mulheres sofreram um AVC pela primeira vez.
 

Uma análise aos dados recolhidos revelou que as mulheres com depressão apresentavam uma possibilidade 2,4 vezes maior de sofrerem um AVC do que as mulheres sem depressão. Mesmo após a eliminação de fatores que aumentavam o risco de AVC como a idade, posição socioeconómica, hábitos de fumar, álcool e exercício físico, pressão arterial elevada, obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, as mulheres deprimidas mantinham uma tendência 1,9 vezes maior de sofrerem um AVC do que as não deprimidas.
 

No decorrer deste estudo 1,5% das mulheres sofreram um AVC, tendo essa percentagem aumentado para 2% nas mulheres com depressão, o que representa um risco pequeno em termos absolutos. No entanto vem demonstrar uma evidente associação entre a depressão e o AVC e “reforça a necessidade de uma prevenção, deteção e controlo específico adequado de problemas mentais em mulheres de meia-idade”, afirmou ainda Caroline Jackson.
 

Este estudo não conseguiu estabelecer uma relação de causa e efeito, sendo por isso necessário “conduzir mais estudos para identificar os mecanismos através dos quais a depressão afeta o risco de AVC já que isto poderá ter implicações no desenvolvimento de futuros tratamentos para a depressão e estratégias de prevenção de AVC”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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