Depressão: ativação comportamental é eficaz e pouco dispendiosa

Estudo publicado na revista “The Lancet”

03 agosto 2016
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Uma terapia simples e pouco dispendiosa é tão eficaz no tratamento da depressão quanto o tratamento habitual, a terapia comportamental cognitiva, dá conta a revista “The Lancet”.
 
A ativação comportamental é relativamente simples e cerca 20% mais barata, comparativamente com terapia comportamental cognitiva o que pode ajudar a aliviar as dificuldades atuais em aceder à terapia e a facilitar a sua utilização em vários países.
 
A ativação comportamental incentiva os pacientes a focarem-se em atividades impulsionadas pelos seus próprios valores pessoais como forma de superar a depressão.
 
A depressão clínica é a segunda maior causa de incapacidade em todo o mundo, afetando cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de a terapia comportamental cognitiva ser eficaz, o acesso é frequentemente limitado e com longas listas de espera, devido em parte ao custo elevado. 
 
Até à data o Instituto Nacional do Reino Unido para a Saúde e Excelência Clínica (NICE, sigla em inglês) defendia que não existiam evidências suficientes para recomendar a ativação comportamental como um tratamento de primeira linha, tendo por isso requisitado uma investigação mais aprofundada para averiguar os seus benefícios. 
 
Assim, neste estudo, liderado pelos investigadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, os investigadores recrutaram 440 pacientes dos cuidados primários e serviços de psicologia. Os participantes foram separados em dois grupos: 219 foram submetidos à terapia comportamental cognitiva e 221 à ativação comportamental. Os dois grupos foram acompanhados e monitorizados aos seis, 12 e 18 meses. 
 
O estudo não apurou qualquer diferença entre os dois grupos ao longo do acompanhamento, o que sugere fortemente que a ativação comportamental é tão eficaz quanto a terapia comportamental cognitiva. 
 
A ativação comportamental incide sobre como ajudar as pessoas com a depressão a alterarem a forma de agir. Esta terapia ajuda as pessoas a fazerem uma ligação entre o comportamento e o humor. Os terapeutas ajudam os pacientes a procurarem e experimentarem situações mais positivas nas suas vidas. O tratamento também ajuda a reduzir a quantidade de vezes que os pacientes evitam situações difíceis e ajuda-os a encontrar alternativas aos comportamentos inúteis habituais.
 
Por outro lado, a terapia comportamental cognitiva foca-se na forma como o paciente pensa. Os terapeutas ajudam as pessoas a identificar e desafiar os pensamentos e crenças sobre si próprio, sobre o mundo e futuro. Esta terapia ajuda as pessoas a identificar e modificar pensamentos negativos e as crenças que lhes dão origem.
Os investigadores verificaram que, um ano após o início do tratamento, a eficácia da ativação comportamental não foi inferior à terapia comportamental cognitiva. Cerca de dois terços dos participantes e ambos os grupos apresentaram uma redução de pelo menos 50% nos sintomas depressivos. Os participantes de ambos os grupos também relataram um número semelhante de dias sem depressão, diagnóstico de ansiedade e remissão da doença. 
 
“O tratamento eficaz da depressão a baixo custo é uma prioridade global. A nossa descoberta é, até à data, a evidência mais robusta que a ativação comportamental é tão eficaz quanto a terapia comportamental cognitiva (…). Esta é uma perspetiva animadora para a redução dos tempos de espera e para melhorar o acesso ao tratamento da depressão de elevada qualidade em todo o mundo, e fornece esperança aos países que estão atualmente a lutar contra o impacto da depressão na saúde da população e na economia”, concluiu um dos autores do estudo, David Richards.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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