Depressão associada a maior risco de morte em doentes cardíacos

Estudo divulgado na conferência “Heart Failure 2015”, em Espanha

28 maio 2015
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A depressão moderada a grave está associada a um risco até cinco vezes superior de morte por qualquer causa em doentes cardíacos, revela um estudo apresentado na “Heart Failure 2015”, o maior evento da Associação de Insuficiência Cardíaca de Espanha, que se realizou em Sevilha.


Os doentes com problemas cardíacos apresentam maior risco de internamento hospitalar e de morte. De acordo com John Cleland, um dos autores do estudo e docente na Imperial College London e na Universidade de Hull, no Reino Unido, cerca de 25% dos pacientes internados com insuficiência cardíaca são novamente internados um mês após a alta e, um ano após a alta, a maioria dos pacientes terá uma ou mais readmissões e cerca de metade terá morrido.


A investigação, denominada OPERA-HF, é um estudo observacional contínuo que conta com a participação de pacientes hospitalizados por insuficiência cardíaca.


Para a avaliação da presença de depressão nestes doentes foi utilizada a Escala de Depressão e Ansiedade Hospitalar (HADS-D, sigla inglesa) e, para a avaliação de comorbilidade, foi usado o Índice de Comorbilidade de Charlson (ICC).


Os resultados à HADS-D revelaram que 103 pacientes não se encontravam deprimidos (entre zero e sete pontos), 27 apresentavam sinais de depressão ligeira (entre oito e dez pontos) e 24 apresentavam sintomas de depressão moderada a grave (entre 11 e 21 pontos). Durante um período de acompanhamento de 302 dias, em média, 27 pacientes morreram.


Pacientes com depressão moderada a grave apresentavam um risco cinco vezes superior de morte em relação àqueles que sofriam de depressão ligeira ou que não tinham depressão. Aliás, a depressão moderada a grave representou um importante meio de previsão de morte por qualquer causa, mesmo depois de outros fatore tais como a idade, sexo, hipertensão, gravidade da insuficiência cardíaca e comorbilidade do paciente serem tido em conta.


Por seu lado, pacientes com pontuação entre zero e sete pontos na HADS-D, apresentavam um risco de morte 80% inferior.


A relação entre a depressão e a mortalidade poderá dever-se, na opinião dos cientistas, ao facto de a depressão estar frequentemente associada a falta de motivação, falta de interesse em atividades do dia-a-dia, falta de confiança, alterações do sono e do peso.


“O nosso estudo demonstra claramente uma forte relação entre a depressão e o risco de morte um ano após a alta hospitalar. O reconhecimento e a gestão da depressão poderão reduzir a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca. É necessário investigar em maior detalhe para perceber o que tanto médicos como pacientes podem fazer para gerir a depressão. Poderá ser necessário desenvolver tratamentos para insuficiência cardíaca, comorbilidade, assim como para depressão”, revela Cleland.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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