Dependência na nicotina associada a um grupo de neurónios específicos

Estudo publicado na revista “Current Biology”

19 novembro 2013
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Os sintomas de abstinência da nicotina são acionados por um grupo muito específico de neurónios encontrados numa área concreta do cérebro. O estudo publicado na revista “Current Biology” refere que as terapias que tenham por alvo estes neurónios poderão um dia ajudar as pessoas a deixar de fumar.
 

“Não estamos surpreendidos por ter verificado que uma população específica de neurónios numa única área do cérebro pode de facto controlar os comportamentos de adição físicos decorrentes da nicotina”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Andrew Tapper.
 

Os investigadores da Universidade de Massachusetts, nos EUA, começaram por criar ratinhos dependentes da nicotina através da administração desta substância na água consumida por estes ratinhos, ao longo de seis semanas. Posteriormente nicotina foi retirada e os animais começaram a arranhar-se e a sacudir-se. Uma análise mais atenta ao cérebro dos ratinhos constatou que havia um aumento de atividade nos neurónios encontrados numa região específica, conhecida por núcleo interpeduncular.
 

Quando os investigadores ativaram artificialmente esses neurónios com luz, os animais apresentaram comportamentos de abstinência de nicotina, quer tivessem sido ou não expostos a esta substância. Por outro lado, foi verificado que os tratamentos capazes de diminuir a atividade destes neurónios aliviam os sintomas de abstinência da nicotina.
 

De acordo com os autores do estudo, faz sentido o núcleo interpeduncular desempenhar um papel na abstinência da nicotina, uma vez que esta área estabelece ligações com outras zonas do cérebro, envolvidas na utilização e resposta à nicotina, assim como nos sintomas de ansiedade. O núcleo interpeduncular está também densamente populado com recetores da acetilcolina que são alvos moleculares da nicotina.
 

O que ainda não está claro é se estes achados associados à nicotina são relevantes para outros tipos de adição. O tabagismo é altamente prevalente nas pessoas com outros distúrbios de consumo de substâncias, o que sugere que há uma interação entre a nicotina e outras substâncias. Adicionalmente, as mutações que ocorrem naturalmente em genes que codificam as subunidades dos recetores nicotínicos que se encontram no núcleo interpeduncular têm sido associados com a dependência de substância ilícitas e álcool”, revelou, conclui Andrew Tapper.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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