Dependência da internet afeta determinadas zonas do cérebro

Estudo publicado na “PLoS ONE”

17 janeiro 2012
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A dependência da internet pode estar associada com uma estrutura anormal da substância branca do cérebro. Estas características estruturais podem estar relacionadas com as alterações do comportamento e podem também proporcionar um método para estudar e tratar este tipo de distúrbio, sugere um estudo publicado na revista “PLoS ONE”.

 

A existência da dependência da internet é uma questão amplamente debatida no mundo da saúde mental, especialmente desde que o principal manual de distúrbios psicológicos - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - está a ser revisto. Entre outros temas, os especialistas discordam sobre se a condição é realmente uma dependência ou se encaixa noutra categoria.

 

A avaliação da dependência da internet, que é caracterizada pela incapacidade de um indivíduo limitar o seu uso da internet, tem-se centrado principalmente em questionários psicológicos.

 

Neste estudo, os investigadores liderados por Hao Lei da Chinese Academy of Sciences, na China, submeteram o cérebro de 18 adolescentes que sofriam de dependência da internet e 18 adolescentes saudáveis a uma ressonância magnética. Através da realização deste procedimento os investigadores conseguiram analisar a densidade e a estrutura da substância branca do cérebro. Esta região do cérebro contém fibras nervosas que transportam os sinais das várias partes do cérebro estabelecendo a comunicação entre si.

 

O estudo também avaliou uma série de características comportamentais, como a dependência, ansiedade, transtorno emocional, relações sociais, ambiente familiar e gestão do tempo e comparou os resultados dos dois grupos de participantes.

 

Os investigadores constataram que os adolescentes que apresentavam este tipo de dependência obtiveram piores resultados nas avaliações emocionais.

 

O estudo também revelou que os adolescentes com dependência da internet apresentavam comprometimento das fibras nervosas da substância branca em regiões do cérebro envolvidas no processamento emocional, atenção executiva, tomada de decisões e controlo cognitivo.

 

Os autores do estudo sugerem que este tipo de dependência pode partilhar mecanismos psicológicos e neuronais com outros tipos de distúrbios de controlo dos impulsos neuronais e de dependência de substâncias. Contudo, salientam que estes resultados deverão ser confirmados através da realização de estudos de maiores dimensões.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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