Dentistas pré-históricos

Sinais de que há mais de 8000 anos atrás havia provavelmente médicos que reparavam dentes

16 abril 2001
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Em Mehrgarth, Baluquistão, no Paquistão pré-histórico, há 8000 e 9000 anos atrás existiram civilizações sofisticadas que conheciam a agricultura, criavam animais e produziam peças de joalharia trabalhadas, com conchas, ametistas e turquesas. Agora, um grupo internacional de investigadores suspeita que este povo conhecia a arte de tratar e evitar o deterioramento dos dentes. Encontraram dentes perfurados com minúsculos orifícios feitos, provavelmente, com a ajuda de uma broca de pedra com ponta aguçada.
 

 

Andrea Cucina, da Universidade de Missouri-Columbia nos EUA descobriu, o ano passado, ao limpar uma mandíbula de um indivíduo da época, um orifício circular perfeito na face mastigadora de um molar. Um mês mais tarde encontrou um orifício semelhante noutro molar pertencente a outro homem da época. Este facto intrigou-o uma vez que, em anos de pesquisa, nunca tinha visto nada semelhante.
 

 

Juntamente com colegas franceses e italianos investigou as possíveis explicações para esta descoberta. A hipótese de ornamentação e decoração dentária foi posta de parte uma vez que estes orifícios foram feitos em zonas dos dentes que não eram visíveis.
 

 

A hipótese de que eram furados para se fazerem colares para ornamentação também não foi aceite já que os dentes perfurados estavam ainda presos à mandíbula.
 

 

Também consideraram a hipótese de se escavarem os dentes como ritual funerário. Mas, uma vez que o topo do dente, acima do orifício, estava desgastado demonstrando que o indivíduo usou aquele dente antes de morrer, essa hipótese foi refutada.
 

 

Os cientistas analisaram o dente ao microscópio electrónico e descobriram sulcos concêntricos causados pelo que supõem ter sido uma broca de pedra minúscula. As bordas do orifício eram também demasiado perfeitas e redondas para este ter sido causado por bactérias.
 

 

Os cientistas admitem a hipótese de que estes dentistas furavam os dentes estragados e “enchiam-nos” com plantas ou substâncias que prevenissem o desenvolvimento bacteriano. Após a morte, as bactérias do solo teriam eliminado os vestígios destas substâncias que “recheavam” os dentes.
 

 

É também sabido que o povo de Mehrgarth tinha as capacidades para fazer este tipo de trabalho minucioso: os orifícios encontrados em contas de colar são exactamente do mesmo diâmetro dos encontrados nos dentes.
 

 

O facto de os dentes “tratados” não terem qualquer vestígio de deterioramento pode demonstrar a eficácia do tratamento. Os cientistas estão agora à procura de indivíduos com dentes estragados tratados e não tratados (isto é, com e sem orifícios). Se os dentes furados não estavam deteriorados, então a hipótese de se tratar de tratamento médico é fortemente apoiada.
 

 

Cucina diz que é bastante atormentador pensar que este povo tinha tais conhecimentos de saúde, cavidades e medicina para fazer este tipo de trabalho, se se confirmar esta hipótese.
 

 

Fonte: New Scientist
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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