Dentição das crianças portuguesas está a desenvolver-se mais cedo

Estudo publicado no “American Journal of Human Biology”

27 dezembro 2010
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Os dentes das crianças portuguesas estão a desenvolver-se mais cedo do que há um século atrás, como resultado da melhoria na nutrição, cuidados de saúde e salubridade, segundo uma investigação publicada no “American Journal of Human Biology”.

 

Esta investigação, liderada por Hugo Cardoso, antropólogo e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e que envolveu cientistas portugueses e norte-americanos, é a primeira a demonstrar, de forma clara e consistente, a influência dos factores ambientais na maturação dentária.

 

Para o trabalho foram avaliadas mais de 500 crianças portuguesas, com idades entre os seis e os 18 anos, de classe socioeconómica média a baixa, recrutadas nas consultas da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. A maturação dos dentes destas crianças foi comparada com a de esqueletos de 114 crianças, com características semelhantes, nascidas entre 1887 e 1960, que faleceram entre 1903 e 1972. Os esqueletos integram as colecções dos Museus de Antropologia de Coimbra e de História Natural de Lisboa.

 

Os resultados revelaram que, nas crianças da amostra moderna, o desenvolvimento dos dentes foi 1,22 anos mais precoce nos rapazes e 1,47 anos mais rápido nas raparigas, em média, comparativamente à amostra histórica. De acordo com o comunicado de imprensa da própria universidade, “o aceleramento do desenvolvimento dos dentes tem início depois do final do regime ditatorial em Portugal, altura em que se registaram melhorias consideráveis em termos económicos e se investiu em sistemas de saúde e acção social”.

 

Os autores explicaram ainda que estas conclusões vão ter implicações na prática clínica, “uma vez que sugerem que a idade de referência para realizar tratamentos ortodônticos nos adolescentes dos países mais desenvolvidos pode estar desactualizada, devendo ser antecipada”. Também os métodos utilizados para estimar a idade através dos registos dentários podem não ser as melhores para avaliar crianças refugiadas e jovens imigrantes ilegais provenientes de países em desenvolvimento.

 

Num trabalho científico anterior, o investigador Hugo Cardoso já tinha demonstrado que, entre o início e o fim do século XX, as crianças portuguesas tornaram-se mais altas, mais pesadas e atingiram a maturidade sexual mais cedo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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