Dentes dos bebés: colares estão na moda

Especialistas alertam para o seu perigo

26 fevereiro 2013
  |  Partilhar:

Os colares de âmbar para bebés estão a tornar-se moda em Portugal, e têm como objetivo diminuírem o desconforto do nascimento dos primeiros dentes. Contudo, os pediatras e especialistas em segurança infantil referem que esta é uma tendência perigosa.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que estes colares de âmbar que são vendidos em lojas de pedras semipreciosas, blogs, sites na Internet ou páginas do Facebook são apresentados como um remédio homeopático tradicional para a dentição do bebé.
 

“O Âmbar do Báltico é conhecido por reduzir a acidez no corpo humano de uma forma totalmente natural. No bebé, o uso constante do colar ajuda a reduzir os sintomas mais comuns relacionados com a dentição, tais como: vermelhidão nas bochechas, gengivas inchadas, assaduras, febre, erupções cutâneas e febres”, dá conta um dos sites que em Portugal comercializa estes artigos.
 

Uma das autores de um blog sobre bebés, crianças e o mundo da maternidade Fernanda Ferreira Velez, refere os colares de âmbar como uma boa solução para ajudar no nascimento dos dentes, mas assume que é um acessório que se está a tornar uma tendência de moda.
 

“Sem dúvida é uma tendência. Acho que os pais aderem, em primeiro lugar, para minorar nos bebés as chatices provocadas pelos primeiros dentes. Em segundo lugar, talvez pela questão estética. Está a tornar-se uma moda”, referiu, em declarações à agência Lusa, esta mãe que não tira o colar da filha nem para dormir.
 

Contudo, para o pediatra Mário Cordeiro, além de não haver qualquer evidência científica de que ajudam a diminuir desconforto ou inflamação da dentição, os colares, de âmbar ou de outro material, não devem ser usados em crianças antes dos quatro ou cinco anos, pelo menos, por perigo de asfixia.
 

O pediatra explica que na idade da dentição, dos seis meses aos dois anos e meio, a criança mexe-se muito, mudando constantemente de posição e há o perigo de o colar se prender em qualquer obstáculo e estrangular a criança.
 

Mário Cordeiro acrescenta que vê muitas crianças com estes colares, incluindo com mais de três anos e, portanto, já com a dentição completa. Isso leva-o a pensar que os colares de âmbar se estão a tornar uma moda e um “símbolo de pertença social”, não sendo usados para influenciar a dentição.
 

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) considera também que não é recomendado que as crianças pequenas andem com fios ou outras coisas à volta do pescoço.
 

“Até os próprios fios da roupa foram proibidos para crianças, por perigo de acidentes de estrangulamento. Em crianças, bebés ou mesmo maiores não se quer nada à volta do pescoço", indicou à Lusa Sandra Nascimento, da APSI.
 

Apesar de alertar para o perigo dos colares, a APSI diz não ter casos recentes em Portugal de acidentes com fios, sejam eles de âmbar ou outros.
 

Indicados nalguns sites para bebés a partir dos três meses, vendedores e compradores defendem que estes colares de âmbar são feitos com medidas de segurança, como o comprimento regulamentar de 33 centímetros.
 

Além disso, entre as contas do fio são dados nós de segurança e as pedras usadas são pequenas o suficiente para não representar risco de asfixia, refere um dos sites de venda.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.