Dentes do futuro

Cientistas usam clonagem para criar dente completo

21 abril 2003
  |  Partilhar:

Investigadores do Instituto Forsyth, de Massachussets, nos Estados Unidos, conseguiram criar em laboratório um dente a partir de células de porco e implantar a prótese biológica em ratos. Segundo a equipa, esta técnica pode permitir que, no futuro, seja possível a fabricação de dentes humanos biológicos.
 

 

Os cientistas transformaram uma suspensão de várias células de um dente de um porco de seis meses numa coroa com dentina e esmalte (camada de revestimento).
 

 

O médico Joseph Vacanti, director do Laboratório de Engenharia de Tecidos e Fabricação de Órgãos do Hospital Geral de Massachusetts e um dos investigadores envolvidos no estudo, afirma que os resultados do estudo apontam para a correcção odontológica com dentes biológicos, criados a partir de técnicas de fabricação de tecidos.
 

 

Em entrevista à BBC, os cientistas ressaltam a grande importância da descoberta da existência de células-estaminais dentárias no tecido de molares de porcos. «A comprovação da existência dessas células podem ser importantes em várias áreas da odontologia».
 

E acrescenta: «A possibilidade de identificar, isolar e reproduzir células-estaminais para usar em tratamentos dentários tem um potencial revolucionário para a odontologia», afirma o médico Dominck de Paola, que também participa no projecto.
 

 

Outros especialistas também têm opiniões semelhantes às dos investigadores. «O potencial desse avanço é enorme e pode ter um imenso impacto nos tratamentos dentários», disse Bruce Donoff, médico do Centro de Produção de Tecidos Carniofaciais da Faculdade de Medicina Dentária de Harvard.
 

 

Para a médica Pamela Yelick, no futuro pode ser possível criar dentes humanos de formas e de tamanhos diferentes. Segundo a especialista, dentro de cinco anos vamos saber se as células-estaminais vão poder ser manipuladas para fabricar dentes. Mas a produção de um dente humano em laboratório pode demorar de dez a 15 anos, segundo Yelick.
 

 

Do porco ao rato
 

 

A investigação, divulgada na publicação especializada Journal of Dental Research, utilizou enzimas para isolar células jovens dos dentes de porcos de seis meses de idade. Essas células foram então colocadas dentro de um polímero esponjoso e implantadas em ratos para que se desenvolvessem. Segundo o artigo, em 30 semanas foi formada uma pequena coroa, contendo todos os elementos encontrados num dente normal.
 

 

A coroa continha dentina – a camada intermediária entre a polpa e o esmalte, o marfim do dente –, uma cavidade para a polpa, cemento – material que reveste a raiz – e esmalte – a camada externa e protectora do dente.
 

 

Segundo os pesquisadores, essa é a primeira experiência bem-sucedida de uma prótese de dente maduro com dentina e esmalte. Outros especialistas já conseguiram produzir dentes com polpa e dentina, mas nunca com cerâmica. Actualmente os implantes com dentes artificiais não assentam tão bem na arcada como os dentes naturais.
 

 

Além disso, a capacidade de morder de uma pessoa muda com a idade, e os dentes artificiais não acompanham tão bem o movimento da mandíbula com o passar dos anos. Teoricamente, um dente biológico fabricado teria as mesmas características de um dente natural.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.