Dentes das crianças da Casa Pia estudados por equipa norte-americana

National Institute of Dental and Cranialfacial Research é a mais cara investigação da área

14 novembro 2003
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Mais de 500 crianças da Casa Pia têm sido objecto de um estudo norte-americano destinado a esclarecer se as amálgamas de mercúrio, utilizadas no restauro de dentes cariados, são, ou não, perigosas. O ensaio clínico começou em 1997, com miúdos com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos, e abarca diversas investigações paralelas, nomeadamente sobre resistência a antibióticos.Não há ensaio nacional que possa gabar-se de ter um orçamento tão avultado - nove milhões de euros. A cifra é peculiar, mesmo para os Estados Unidos. O «Casa Pia Study» era, à data do seu lançamento, «o mais caro» projecto do National Institute of Dental and Cranialfacial Research (NIDCR), um dos 27 centros de pesquisa dos institutos nacionais de saúde norte-americanos. Não por acaso. O «Casa Pia Study», nome pelo qual a investigação é conhecida, «terá um profundo impacte a nível mundial, dada a importância da determinação da segurança da amálgama dentária em termos de saúde pública», diz Jorge Leitão, director do projecto em Portugal.A substância, introduzida há cerca de 150 anos na Medicina Dentária, enfrenta forte contestação na Europa, na América e na Oceânia, desde que se provou que actos corriqueiros, como mascar uma pastilha elástica ou escovar os dentes, bastam para a fazer libertar doses residuais de vapores de mercúrio - que são parcialmente absorvidos pelos organismos. Existem condicionamentos em quase toda a Europa, havendo mesmo países onde este tipo de tratamento é proibido em crianças e grávidas. Em Portugal, porém, não há restrições. Nos Estados Unidos, a pressão pública rebentou na década de 90, no seguimento de estudos que sugerem que os vulgares «chumbos» produzem efeitos nocivos para a saúde. Os detractores indicam problemas de pele, debilidade muscular crónica, disfunção renal, distúrbios neurológicos e psicológicos. O movimento anti-amálgama, aliado à falta de provas científicas sobre a sua periculosidade, levou o NIDCR a encomendar, em 1995, uma investigação profunda: ensaios clínicos longitudinais controlados - aplicados em crianças e não em adultos, já que estas são mais sensíveis aos efeitos das intoxicações por mercúrio, o que facilita, desde logo, a obtenção de resultados práticos.Leia tudo no: Público

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