Demência: cuidadores de lares aprendem forma de interagir com doentes

Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro dá a formação

01 agosto 2012
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A Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) está dar formação a mais de meia centena de mulheres que trabalham em lares de Aveiro em técnicas de estimulação multissensorial e motora para conseguirem interagir com doentes com demência.
 

As fases avançadas de demência são caracterizadas por agitação, agressividade, deambulação e desinibição sexual, o que torna exigente, física e emocionalmente, o trabalho de cuidar desses doentes.
 

A terapia complementar que está a ser introduzida nos quatro lares apela aos sentidos para "retardar" a demência e facilitar a comunicação com o doente, revelou à agência Lusa Liliana Xavier, da ESSUA, e pró-reitora da Universidade de Aveiro.
 

"A estimulação multissensorial e motora consiste basicamente em usar os sentidos para interagir com a pessoa com demência, quando ela já está num estado moderado a severo. Ao ativar os sentidos ajudamos a que a pessoa não perca outras competências que ainda mantém", explicou.
 

O método que a ESSUA está a ensinar "retarda o avanço dos sintomas", através de estratégias simples aplicadas nas atividades diárias dos doentes, de forma a promover o movimento, o equilíbrio, a prevenção de quedas e o desempenho de tarefas.
 

A ESSUA ensina também a proporcionar aos doentes experiências sensoriais agradáveis: "no banho, podemos ativar o olfato através de um sabonete que cheire a mel e ir tentando comunicar, perguntando se sabe que cheiro é, para que é que se usa o mel, se gostava de mel, etc.", disse Liliana Xavier.
 

Os efeitos refletem-se também nas auxiliares, que muitas vezes vivenciam a sensação de incapacidade, tensão, stress ocupacional, sobrecarga física e risco de exaustão.
 

Os resultados têm sido "muito positivos" e aliviam o seu trabalho ao melhorar a comunicação (verbal e não verbal), envolvimento (solicitado e voluntário) do doente com o meio que o rodeia, relaxamento e diminuição de comportamentos desafiantes.
 

"As instituições com quem temos trabalhado são muito recetivas e sentem necessidade de métodos como este, que acabam por ser muito eficientes e simples de fazer no dia-a-dia. Às vezes não podemos dar as respostas que nos pedem. Temos de cumprir o que está contratualizado no projeto de investigação, nomeadamente quanto ao número de pessoas com que nos comprometemos a trabalhar", disse a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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