Déjà vu: como é causado?

Estudo da Universidade do Texas

18 abril 2016
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Investigadores americanos sugerem que os episódios de déjà vu podem ser causados por uma falha elétrica no cérebro e podem estar relacionados com a forma como a memória está armazenada no cérebro.
 

O déjà vu ocorre em aproximadamente 60 a 80% das pessoas. Trata-se de um fenómeno quase sempre fugaz e que se pode manifestar a qualquer momento. Apesar da sua frequência, estes episódios são pouco compreendidos pela comunidade científica e ainda não foi identificado um estímulo claro que os desencadeie.
 

Na opinião dos investigadores da universidade do Texas, nos EUA, os episódios de déjà vu podem estar associados à forma como a memória é armazenada no cérebro. A retenção das memórias de longo prazo, eventos e factos são armazenados nos lobos temporais e, determinadas zonas específicas do lobo temporal também são essenciais para a deteção da familiaridade e reconhecimento de determinados eventos.
 

Apesar de ainda ser relativamente desconhecida a ligação entre o déjà vu, o lobo temporal e a retenção da memória, têm surgido algumas pistas de pessoas que sofrem de epilepsia do lobo temporal, uma condição em que a atividade de células nervosas no cérebro é afetada. Os resultados sugerem que os eventos déjà vu podem ser provocados por uma falha elétrica no cérebro.
 

As crises epiléticas são caracterizadas por uma atividade neuronal disfuncional ao longo do cérebro que afeta os impulsos elétricos que ativam os neurónios. Estes impulsos podem disseminar-se por todo o cérebro e induzir convulsões. Um dos autores do estudo, Michelle Hook, refere que alguns relatórios clínicos têm demonstrado que alguns pacientes com epilepsia do lobo temporal têm episódios de déjà vu antes de terem um ataque epilético, quase como uma espécie de advertência.
 

No caso dos indivíduos sem epilepsia, alguns investigadores descrevem o déjà vu como uma falha no cérebro, quando os neurónios do reconhecimento e familiaridade são ativados e fazem com que o cérebro confunda o presente com o passado. Os mesmos impulsos elétricos anormais que contribuem para a epilepsia podem estar presentes nas pessoas saudáveis. Um exemplo disto é a ocorrência de um espasmo muscular involuntário quando uma pessoa está a adormecer.
 

Os episódios de déjà vu nos indivíduos saudáveis podem ser também atribuídos a um desfasamento das vias neurais do cérebro. Isto pode ocorrer pois o cérebro está constantemente a tentar criar perceções do mundo que nos rodeia com informações limitadas. Isto acontece, por exemplo, quando a partir de uma perceção sensorial, como um odor familiar, o cérebro é capaz de criar uma recordação específica. O déjà vu pode estar associado a discrepâncias nos sistemas de memória do cérebro, levando a informação sensorial a ignorar uma memória de curto prazo e a eleger uma memória de longo prazo, o que pode produzir a sensação de ter vivido um momento atual anteriormente.
 

No sistema visual, a informação sensorial viaja através de múltiplas vias para os centros corticais superiores do cérebro, áreas que desempenham um papel fundamental na memória, atenção, perceção, consciência, raciocínio, linguagem e consciência, com todas as informações a atingir esses centros mais ou menos ao mesmo tempo.
 

Michelle Hook refere que alguns especialistas defendem que quando ocorre uma diferença no processamento ao longo dessas vias, a perceção é interrompida e é experimentada como duas mensagens distintas. O cérebro interpreta a segunda versão, através da via secundária lenta, como uma experiência separada, ocorrendo assim o sentimento de déjà vu.
 

O investigador conclui que ainda há muito a aprender sobre o mecanismo envolvido no processo de déjà vu. Na opinião de Michelle Hook pode não haver uma resposta simples para o mecanismo responsável pelo déjà vu, sendo por isso necessários mais estudos para o desvendar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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