Deixar de fumar: qual é a melhor altura do ciclo menstrual?

Estudo publicado na revista “Biology of Sex Differences”

03 junho 2016
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As mulheres que querem deixar de fumar podem ter mais sucesso se tiverem em conta os dias ótimos do ciclo menstrual, sugere um estudo divulgado na revista “Biology of Sex Differences”.
 

O tabagismo continua a ser a principal causa de morte evitável nos EUA. O tabaco tem consequências mais graves para as mulheres do para os homens. Estas têm um risco 25% maior de desenvolver doença arterial coronária e doença pulmonar obstrutiva crónica. Por outro lado, as mulheres têm mais dificuldade na cessação tabágica do que os homens.
 

“Entender como as fases do ciclo menstrual afetam os processos neuronais, a cognição e o comportamento é um passo importante para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e para a seleção das melhores opções de tratamento e mais individualizadas para ajudar os fumadores a interromperem este hábito”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Reagan Wetherill.
 

Já há alguns anos que os investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, se têm debruçado sobre esta temática, tendo o seu trabalho sido baseado em estudos realizados em animais que demonstraram que as hormonas sexuais naturais – o estrogénio e a progesterona – que variam ao longo do ciclo menstrual modulam o comportamento aditivo.
 

Durante o período pré-menstrual ou fase luteínica, quando a razão entre os níveis de progesterona e estrogénio são elevados, os comportamentos aditivos são reprimidos, o que sugere que a progesterona pode proteger as mulheres de voltarem a fumar.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 38 mulheres, entre os 21 e os 51 anos, que fumavam, mas não tomavam contracetivos hormonais. As participantes foram submetidas a uma ressonância magnética funcional para analisar como as regiões do cérebro que ajudam a controlar o comportamento estão funcionalmente ligadas a outras regiões que sinalizam a recompensa.
 

Os investigadores colocaram a hipótese de as variações naturais das hormonas dos ovários, que ocorrem ao longo do ciclo menstrual mensal, afetarem a forma como as mulheres tomam decisões relativamente à recompensa (fumar um cigarro) e àquilo que funciona como estímulo para fumar, que são as pessoas, lugares e coisas que os fumadores associam ao tabagismo, tais como o cheiro de um cigarro aceso ou a pausa para café. Estes "lembretes" para fumar são percecionados como algo agradável e desejável, sendo também gratificantes.
 

Os investigadores já tinham apurado que, comparativamente com as mulheres que estão na fase luteínica, aquelas que estão na fase folicular, que tem início na menstruação e continua até à ovulação, têm respostas aumentadas aos estímulos para fumar nas regiões cerebrais envolvidas na recompensa. Para o estudo, as mulheres foram separadas em dois grupos: as que se encontravam na fase folicular e as que estavam na fase luteínica.
 

O estudo apurou que, durante a fase folicular, havia uma redução da conetividade funcional entre as regiões do cérebro que ajudam a tomar boas decisões (regiões corticais) e as regiões que contêm o centro de recompensa (estriado ventral). Estes resultados sugerem que, nesta fase, as mulheres podem ter um maior risco de continuar a fumar ou de ter recaídas.
 

Teresa Franklin, uma das autoras do estudo, refere que estes achados apoiam aqueles obtidos com animais e a literatura humana emergente que tem demonstrado que a progesterona pode ter um efeito protetor sobre os comportamentos aditivos. Adicionalmente, este estudo também demonstra que há diferença entre os homens e as mulheres no que diz respeito ao comportamento tabágico e recaídas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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