Défice de atenção e hiperatividade e o risco de morte prematura

Estudo publicado na revista “The Lancet”

02 março 2015
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Os indivíduos com défice de atenção e hiperatividade têm uma menor esperança de vida e apresentam maior risco de morrer prematuramente comparativamente com os indivíduos saudáveis, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, apurou que os acidentes eram a principal causa de morte dos indivíduos com défice de atenção e hiperatividade e o risco relativo de morte era mais elevado para as mulheres do que para os homens e para aqueles diagnosticados com a doença na infância.
 

Para o estudo, os investigadores, liderados por Søren Dalsgaard, acompanharam, ao longo de um máximo de 32 anos, cerca de 2 milhões de indivíduos dos quais mais de 32 mil tinham défice de atenção e hiperatividade.
 

Ao longo do período de acompanhamento, 107 pacientes com défice de atenção e hiperatividade morreram. Verificou-se que os indivíduos com este tipo de patologia apresentavam um risco duas vezes maior de morrerem prematuramente, comparativamente com os indivíduos saudáveis. Estes resultados mantiveram-se inalterados mesmo após os investigadores terem tido em conta fatores como a idade, sexo, antecedentes familiares de doenças psiquiátricas, idade materna e paterna e educação parental.
 

O estudo apurou que este risco aumentado era, na maioria dos casos, provocado por causas não naturais, sendo que mais de metade dos casos era provocado por acidentes.
 

Os investigadores também constataram que o risco de morte prematura aumentava com a idade de diagnóstico. Os indivíduos diagnosticados a partir dos 18 anos tinham um risco quatro vezes maior de morrerem prematuramente, comparativamente com os indivíduos saudáveis da mesma faixa etária. Os pacientes diagnosticados antes dos seis anos de idade apresentavam um risco duas vezes menor, comparativamente com os seus pares.
 

O estudo constatou ainda que as raparigas e mulheres com défice de atenção e hiperatividade apresentavam um risco relativo de morte prematura mais elevado do que os rapazes e os homens.
 

Estudos anteriores tinham demonstrado que os indivíduos com défice de atenção e hiperatividade eram mais propensos a ter uma série de outros distúrbios coexistentes, incluindo transtorno opositivo desafiador, transtorno de conduta e problemas associados ao abuso de substâncias. Verificou-se que os indivíduos com défice de atenção e hiperatividade que também tinham os três distúrbios referidos apresentavam um risco oito vezes maior de morrerem precocemente, comparativamente com os indivíduos sem este défice ou sem qualquer destes distúrbios coexistentes.

 

De acordo com Søren Dalsgaard, estes resultados enfatizam a importância de um diagnóstico precoce de défice de atenção e hiperatividade especialmente entre as raparigas e mulheres, bem como do tratamento de distúrbios antissociais e de abuso de substâncias.
 

Contudo, os investigadores referem que, apesar de o risco relativo de morte ter aumentado com o défice de atenção e hiperatividade, o risco relativo é baixo e que este e outros riscos podem ser reduzidos através de tratamentos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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