Declínio do poder olfactivo poder ser combatido

Estudo publicado na “Neuron”

13 dezembro 2011
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Investigadores americanos descobriram um gene que desempenha um papel muito importante na renovação dos sensores do olfacto, fornecendo assim uma esperança para o desenvolvimento de novas terapias para as pessoas que perderam o olfacto devido a um trauma ou ao envelhecimento, dá conta um estudo publicado na “Neuron”.
 

“A anosmia, a ausência completa de olfacto, é um problema de saúde pública pouco valorizado no envelhecimento da população. Muitas pessoas perdem a vontade de comer, o que pode levar à uma alimentação deficiente, pois a capacidade de degustação depende do nosso sentido de olfacto, que muitas vezes diminui com a idade", revelou o líder do estudo, John Ngai.
 

“Umas das razões para esta diminuição pode estar relacionada com o envelhecimento das células estaminais olfactivas, que com o passar do tempo se tornam menos capazes de substituir células maduras, ou talvez sejam mesmo eliminadas. Assim, se houver uma forma de promover a activação da auto-renovação das células estaminais, podemos ser capazes de substituir a perda destas células e manter a função sensorial,”explica o investigador. 
 

No nariz, os neurónios sensoriais olfactivos vivem só 30 dias sendo posteriormente substituídos por novas células, que são geradas a partir das células estaminais adultas no epitélio olfactivo. Uma questão importante é saber quem comanda a divisão das células, ou a sua maturação ou a diferenciação, em células nervosas sensoriais funcionais, ou em outras células importantes para a manutenção da função olfactiva.
 

Para responder a esta questão, os investigadores da University of California, nos EUA, procuraram nas células epiteliais do nariz genes reguladores tendo descoberto um, o p63, que tinha um papel muito importante na diferenciação das células estaminais olfactivas. O estudo revelou que as células estaminais olfactivas de ratinhos que não expressavam este gene se diferenciavam rapidamente em neurónios sensoriais.  
 

O investigador explicou que, “este gene produz uma molécula que funciona como um travão. Quando o travão está activo, as células estaminais auto-renovam-se. Se o travão estiver ausente, as células estaminais diferenciam-se.”
 

Um fármaco que consiga regular o p63, ou modelar um dos genes que o p63, por sua vez, regula, pode aumentar o número de células estaminais no nariz, assim como aumentar o número das células que se diferenciam em neurónios olfactivos.
 

O director do Monell Chemical Senses Center, em Filadéfia, EUA, Gary K. Beauchamp, revelou que este estudo fornece informações importantes que devem, eventualmente, permitir aos médicos melhorarem regeneração, induzi-la nos caso em que, por motivos desconhecidos, há perda olfactiva permanente, ou mesmo impedir a perda funcional à medida que uma pessoa envelhece.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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