Declínio de inteligência associada ao processamento visual na terceira idade

Estudo publicado na revista “Current Biology”

07 agosto 2014
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Investigadores do Reino Unido descobriram um dos processos básicos que pode ajudar a explicar por que motivo a capacidade de raciocínio diminui na terceira idade. O estudo publicado na revista “Current Biology” sugere que esta deterioração está intimamente associada à dificuldade em realizar uma tarefa muito simples relacionada com a velocidade da perceção visual.
 

De forma a chegar a estas conclusões os investigadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, contaram com a participação de 600 indivíduos saudáveis e de idade avançada. Os participantes foram expostos a imagens muito rápidas de duas formas geométricas, tendo sido medido o tempo que demoraram a distingui-las (tempo de inspeção). O teste foi repetido aos 70, 73 e 76 anos.  
 

Os resultados sugerem que a capacidade do cérebro em tomar decisões acertadas, tendo por base breves impressões visuais, limita a eficácia das funções mentais mais complexas. “À medida que esta capacidade diminui com a idade, também a inteligência diminui. Um indivíduo que tenha conservado as suas capacidades complexas de raciocínio durante a terceira idade é alguém que consegue acumular rapidamente informação de uma imagem fugaz”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Stuart Ritchie.
 

Estudos anteriores demonstraram que as pessoas mais inteligentes, segundo dados obtidos através do quociente de inteligência, tendem a distinguir com mais facilidade a diferença entre formas apresentadas por um breve período de tempo. Contudo, até à data, ainda ninguém tinha analisado como estas duas medições poderiam variar à medida que as pessoas envelhecem.
 

O que surpreendeu os autores deste estudo foi a força da relação entre os declínios. “Uma vez que o chamado tempo de inspeção e os testes de inteligência são tão distintos, não estávamos à espera que os seus declínios estivessem tão fortemente associados”, acrescentou o investigador.
 

Os resultando demonstraram que o abrandamento dos processos simples e visuais que ditam a tomada de decisões podem fazer parte do declínio subjacente encontrado na tomada de decisões complexas a qual é reconhecida como inteligência. Os resultados podem também ter utilidade prática dada a simplicidade da medição do tempo de inspeção.

 

“Uma vez que os declínios estão tão estreitamente associados, pode ser, em algumas circunstâncias, mais fácil utilizar o tempo de inspeção para diagnosticar a deterioração cognitiva de um indivíduo do que submete-lo a uma bateria de testes de quociente de inteligência”, conclui Stuart Ritchie.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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