Declínio cognitivo pode ser detetado através de teste à saliva

Estudo publicado na revista “Neurology”

24 agosto 2015
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Um teste à saliva pode identificar os idosos em risco de declínio cognitivo, defende um estudo publicado na revista “Neurology”.
 
Estudos anteriores já haviam sugerido que a depressão aumentava o risco de demência nos idosos, contudo, ainda não estava claro qual o motivo desta associação. “Níveis elevados de cortisol foram identificados em indivíduos com depressão, e a teoria é que o cortisol tem um efeito tóxico na zona cerebral do hipocampo, a qual tem um papel importante na memória”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Lenore J. Launer.
 
De forma a tentar clarificar esta teoria, os investigadores do Instituto Nacional de Saúde, nos EUA analisaram os níveis de cortisol, os volumes cerebrais e as capacidades cognitivas de 4.244 adultos com uma média de 76 anos que não apresentavam sinais de demência.
 
Os níveis de cortisol dos participantes foram medidos a partir de amostras da saliva que foram retiradas num único dia, 45 minutos após os participantes terem acordado e novamente à noite. Dependendo dos níveis de cortisol, os participantes foram divididos em três grupos distintos: níveis elevados, médios ou baixos.
 
Os cérebros dos participantes foram submetidos a uma ressonância magnética, para avaliação do volume do cerebral. Adicionalmente, os idosos foram obrigados a participar em testes que avaliaram as capacidade de memória e raciocínio.
 
O estudo apurou que, comparativamente com indivíduos com níveis baixos de cortisol, aqueles com níveis elevados tinham volumes globais do cérebro 16 milímetros menores. A diferença do volume do cérebro foi particularmente visível nas regiões da massa cinzenta e não tanto nas regiões de massa branca.
 
Os investigadores constataram ainda que os participantes com níveis elevados de cortisol apresentavam também um pior desempenho nos testes de memória e raciocínio, comparativamente com aqueles com níveis mais baixos desta hormona.
 
"É possível que a perda de volume cerebral possa ocorrer com o envelhecimento, conduzindo a uma menor capacidade de o cérebro impedir os efeitos do cortisol, o que, por sua vez, leva a mais perda de células cerebrais. Entender estas relações pode ajudar a desenvolver estratégias para reduzir os efeitos do cortisol no cérebro e na capacidade de raciocínio”, conclui o investigador.
 
Na opinião dos autores do estudo estes achados podem conduzir ao desenvolvimento de um teste de saliva que poderá ajudar a determinar quais os indivíduos em risco de desenvolver doença de Alzheimer ou outras demências, assim como a adotar estratégias que poderão reduzir o potencial impacto negativo do cortisol na função cognitiva.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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