Decisões políticas devem basear-se também em dados não científicos

Últimos 100 anos analisados pela Agência Europeia

11 janeiro 2002
  |  Partilhar:

A avaliação política dos riscos ambientais deve tomar em consideração tanto os dados científicos como "os conhecimentos locais e não especializados", segundo um relatório da Agência Ambiental Europeia divulgado esta semana.
 

 

O relatório analisa 14 casos ocorridos nos últimos 100 anos em que as decisões políticas foram tomadas num ambiente de incerteza científica ou de desconhecimento dos riscos para as populações e o meio ambiente.
 

 

O documento relativo à importância do "princípio da precaução" retira 12 "lições aprendidas" no estudo de casos como os da destruição da camada de ozono, da chamada doença das "vacas loucas", do uso dos raios-X para fins médicos, e da sobre- exploração de recursos naturais.
 

 

Foram casos em que o alheamento dos decisores políticos teve graves consequências ambientais e para a saúde pública ou em que os sinais de alerta precoces foram ignorados, traduzindo-se em milhares de mortes ou na extinção de recursos piscícolas com efeitos devastadores em populações deles dependentes no Canadá, Califórnia e Escócia.
 

 

Co-incineração e amianto em Portugal
 

 

Em Portugal tem-se assistido nos últimos anos a uma grande polémica em torno da co-incineração de resíduos tóxicos e das consequências ambientais da localização das respectivas centrais de tratamento.
 

 

Ser realista quanto à forma como os materiais são usados e eliminados no dia-a-dia, evitar que as autoridades fiquem reféns de interesses particulares ou que apenas um produto adquira estatuto de monopólio no mercado (como foi o caso do amianto), são outros três ensinamentos retirados do estudo para situações futuras.
 

 

Evitar a paralisia decorrente de uma reflexão excessiva e demorada e tomar em consideração as ideias e valores dos vários grupos sociais são outras lições aprendidas com a análise de casos registados ao longo do último século.
 

 

OGMs e hormonas sintéticas
 

 

O relatório sobre "O princípio da precaução: Alertas precoces e ensinamentos posteriores" abrange situações registadas no período 1896-2000.
 

 

Para o director executivo da Agência Ambiental Europeia, Domingo Jiménez-Beltrán, "será mais fácil optimizar a inovação e reduzir os riscos para as populações e o meio ambiente se forem tidos em consideração os 12 ensinamentos" constantes do estudo.
 

 

Os casos estudados mostram como a não aplicação ou o mau uso do princípio da precaução pode ter efeitos dolorosos e provocar grandes prejuízos", considerou Poul Harremoes, responsável pela equipa de cientistas que realizou o estudo.
 

 

Além de contribuir para a melhoria do processo decisório em questões ambientais, o relatório pretende também contribuir para o reforço da compreensão mútua entre a Europa e os Estados Unidos nesse domínio.
 

 

É que as relações entre os dois blocos económicos têm sido afectadas nos últimos anos por grandes divergências sobre os riscos e consequências dos alimentos geneticamente modificados ou da utilização de hormonas sintéticas para acelerar o crescimento dos animais para consumo humano.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.