Decifrado o «canto do cisne» das células

Sinal de alarme estimula a reacção do organismo

11 julho 2002
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As células que morrem depois de uma agressão traumática lançam um sinal de alarme para estimular a reacção do organismo, uma espécie de "canto do cisne" decifrado agora por três cientistas, publica esta semana a Nature.
 

 

Dois investigadores italianos da Universidade Vita-Salute San Raffaele de Milão e o norte-americano Tom Mistell, do Instituto Nacional do Cancro de Bethesda, concluíram o primeiro estudo que verifica a forma como as células comunicam a existência de uma lesão.
 

 

Os trabalhos poderão abrir um novo caminho para o diagnóstico e tratamento de lesões e inflamações, por exemplo.
 

 

Bianchi explicou que "finalmente se pode demonstrar que as células que morrem por necrose lançam uma última mensagem para avisar outras células do organismo através da proteína HMGB1, cuja função principal era até hoje relacionada à formação dos cromossomas".
 

 

Os cientistas comprovaram que esta proteína, habitualmente estabilizada em redor do núcleo das células sãs, se desprende quando ocorre uma morte celular traumática.
 

 

As células vizinhas estão dotadas de um receptor particular da HMGB1, pelo que, ao sentirem a proteína, fazem soar o alarme e reagem em consequência.
 

 

Algumas células substituem as mortas e outras acentuam o anúncio de perigo, através de uma resposta inflamatória para provocar uma reacção violenta do organismo, precisou o investigador.
 

 

A equipa que decifrou o "canto dos cisnes" das células sublinha que este fenómeno apenas ocorre quando a sua morte é traumática e não quando se deve a outros factores, como o envelhecimento ou o mau funcionamento.
 

 

Apesar de não ser ainda possível precisar as aplicações desta descoberta, Marco Bianchi apontou duas vias: a possibilidade de controlar a emissão dos sinais de alarme, bloqueando processos inflamatórios excessivos, ou a de estimular a actuação das células reparadoras de tecidos lesionados, como no caso do enfarte.
 

 

Fonte: Lusa
 

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