De perigosas células de leucemia a inofensivas células imunes

Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”

23 março 2015
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Uma equipa de investigadores descobriu que a melhor forma de lidar com células agressivas de leucemia descontroladas é fazer com que “amadureçam e se portem bem”.
 
A descoberta foi da autoria de investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, EUA, que identificaram, ao acaso, um método de forçar células de leucemia a amadurecerem para células imunitárias denominadas macrófagos. 
 
A leucemia linfoblástica aguda de células B (LLA-B) cromossoma de Filadélfia positivo é um tipo de cancro do sangue muito agressivo e com um índice elevado de insucesso. A descoberta de potenciais tratamentos para a doença é, para os investigadores, algo entusiasmante.
 
Ravi Majeti, docente de medicina na Universidade de Stanford e autor principal do estudo, explica que ele e a sua equipa chegaram à descoberta após tentarem que células de leucemia retiradas de uma paciente sobrevivessem em cultura. “Deitávamos-lhes tudo para ajudá-las a sobreviver”, conta o investigador.
 
Scott McClellan, um dos autores do estudo, observou que algumas das células cancerígenas na cultura estavam a mudar de formato e tamanho para se transformarem em macrófagos. 
 
Contudo, as razões subjacentes àquela alteração estavam por explicar. Entretanto, Ravi Majeti descobriu um estudo anterior que demonstrava que as células B progenitoras de ratinhos poderiam ser forçadas a tornar-se macrófagos quando expostas a certos fatores de transcrição – proteínas que se unem a algumas sequências de ADN. “As células B de leucemia são, de muitas formas, células progenitoras que são forçadas a manterem-se num estado de imaturidade”, explica.
 
Após a equipa ter procedido a mais ensaios conseguiu confirmar que os métodos usados, há muitos anos, para alterar o destino das células progenitoras em ratinhos poderiam ser utilizados novamente para transformar essas células cancerígenas humanas em macrófagos. Este tipo de células imunitárias tem a capacidade de exterminar células cancerígenas e patogénios.
 
Os investigadores esperam que, quando as células cancerígenas se transformarem em macrófagos, possam ajudar no combate ao cancro. Tal como o dono que dá um objeto a cheirar a um cão de caça para este seguir o rasto da presa, os macrófagos apresentam partes reconhecíveis de células anormais a células imunitárias para estas desencadearem um ataque. “O facto de os macrófagos serem oriundos de células cancerígenas faz com que transportem os sinais químicos que irão identificar as células cancerígenas, aumentando a probabilidade de o sistema imunitário desencadear um ataque ao cancro”, explica o autor principal do estudo.
 
Os investigadores irão proximamente trabalhar na descoberta de um fármaco que origine a mesma reação e que possa servir de base para tratamento contra a leucemia. “Existe um enorme interesse em encontrar tratamentos diferenciados para o cancro”, remata Ravi Majeti.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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