Danos provocados pelo sol continuam a ocorrer mesmo na ausência de luz

Estudo publicado na “Science”

25 fevereiro 2015
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A exposição à luz ultravioleta (UV) do sol ou das lâmpadas de raios UV pode danificar o ADN dos melanócitos, as células que produzem a melanina e dão cor à pele. Estes danos provocados pelos raios UV ocorrem horas após a exposição solar, defende um estudo publicado na revista “Science”.
 

No passado, os especialistas acreditavam que a melanina protegia a pele ao bloquear os raios UV prejudiciais. Contudo, outros estudos também indicaram que a melanina estava associada a danos celulares da pele.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale, nos EUA, expuseram células de melanócito humanas e de ratinho à radiação de uma lâmpada UV. Verificou-se que a radiação causou um tipo de dano no ADN, conhecido como dímero de ciclobutano (CPD), o que impediu que a informação contida no ADN fosse lida corretamente. Para surpresa dos investigadores, os melanócitos não só geraram CPD imediatamente, mas também continuaram a fazê-lo horas após a exposição à luz UV ter terminado. As células sem melanina geram CPD apenas durante a exposição UV.
 

Estes achados demonstraram que a melanina tem efeitos carcinogénicos e protetores. “Se olharmos para o interior da pele dos adultos, a melanina protege contra os CPD. Atua como um escudo. Mas está a fazer coisas boas e más”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Douglas E. Brash.
 

Posteriormente os investigadores testaram a magnitude do dano que ocorreu após a exposição solar, evitando a reparação normal do ADN. Verificou-se que metade dos CPD nos melanócitos tinha sido criada na ausência de luz.
 

De forma a tentar encontrar explicações para os resultados obtidos, os investigadores constataram que a luz UV ativava duas enzimas que se combinavam para excitar um eletrão na melanina. A energia produzida através deste processo, denominado quimioexcitação, foi transferida para o ADN na ausência de luz, produzindo o mesmos danos no ADN que a luz do sol.
 

Apesar de a notícia do efeito carcinogénico da melanina ser desconcertante, os investigadores referem que a lentidão da quimioexcitação pode dar tempo a novas ferramentas preventivas, como protetores solares concebidos para bloquear a transferência de energia que ocorre após a exposição solar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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