Danos na medula espinal poderão ser revertidos

Estudo publicado na “Science”

05 junho 2012
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As lesões graves da medula espinal poderão talvez ser revertidas, sugere um estudo publicado na revista “Science”, o qual dá conta do trabalho que investigadores alemães e suíços têm realizado nos últimos cinco anos e que está a alterar profundamente a compreensão das capacidades regenerativas do sistema nervoso central.

 

O cérebro e a medula espinal são capazes de se adaptar e de recuperar de lesões moderadas, uma capacidade conhecida por neuroplasticidade. Até há pouco tempo, contudo, julgava-se ser impossível a recuperação nos casos de lesões muito graves. Neste estudo, os investigadores da University of Zurich, na Suiça, provaram que, perante determinadas condições, a plasticidade e a recuperação poderiam ocorrer, mas só se a espinal medula fosse “acordada”.

 

De modo a “acordar” a espinal medula, os investigadores injetaram substâncias químicas que despoletam a resposta celular através da ligação a recetores específicos da dopamina, a adrenalina e serotonina localizados nos neurónios da medula espinal. Este cocktail imita a ação de neurotransmissores libertados pelo cérebro, excitando os neurónios preparando-os para coordenar, nas fases seguintes da experiência, os movimentos voluntários da parte inferior do corpo.

 

Cinco a dez minutos após a injeção, os investigadores estimularam eletricamente a medula espinal dos animais através de elétrodos implantados no espaço epidural. “Esta estimulação epidural localizada envia sinais elétricos contínuos através das fibras nervosas para os neurónios quimicamente excitados que controlam o movimento das pernas. Restava apenas iniciar o movimento”, explicou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Rubia van den Brand.

 

Posteriormente foram colocados dipositivos robóticos aos animais que os mantinham erguidos sobre uma plataforma, com o peso totalmente suportado pelas patas traseiras, e que só era ativado para os manter de pé caso eles perdessem o equilíbrio. Desta forma, os animais tinham a sensação de ter uma espinal medula saudável e funcional, encorajando-os a irem de encontro a bocados de chocolate que os investigadores tinham colocado na outra ponta da plataforma.

 

“Após umas semanas de neuroreabilitação com esta combinação do dispositivo robótico e estimulação eletroquímica, os ratos não só iniciaram voluntariamente a marcha, como depressa começaram a correr, a subir escadas e a evitar obstáculos”, explicou um dos autores do estudo, Grégoire Courtine.

 

O estudo apurou ainda que “as fibras nervosas da medula espinal e do cérebro tinham quadruplicado”, revelou, em comunicado de imprensa uma outra co-autora do estudo, Janine Heutschi. Os investigadores verificaram que as novas fibras tinham contornado a lesão medular, permitindo que os sinais vindos do cérebro atingissem a zona da medula espinal onde estavam situados os neurónios previamente excitados. Estes sinais foram suficientemente fortes para que o movimento fosse iniciado, ou seja, os ratinhos começaram a andar ao encontro da recompensa, o chocolate, suportando inteiramente o seu peso com as suas pernas traseiras.

 

“Isto é um campeonato da reabilitação!”, disse, o líder do estudo, Grégoire Courtin. “Os ratos, que poucas semanas antes estavam completamente paralisados, tornaram-se atletas. E estou a falar em 100% de recuperação do movimento voluntário.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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