Dano cerebral: indução de novos neurónios com nanopartículas

Estudo vence prémio Pulido Valente Ciência 2013

13 março 2014
  |  Partilhar:

O trabalho que envolveu a encapsulação de moléculas em nanopartículas para induzir a diferenciação células estaminais em neurónios e que podem ser utlizados em caso de dano cerebral foi distinguido com o Prémio Pulido Valente Ciência 2013.
 

"O que há aqui de inovador é o uso das nanopartículas que nos oferece uma vantagem muito superior à utilização dos fármacos ou a moléculas ativas não encapsuladas para indução da neurogénese, que conseguimos aumentar no próprio organismo", disse hoje à agência Lusa o investigador Tiago Santos.
 

"Ou seja, endogenamente, sem transplantar células, conseguimos que houvesse um aumento de novos neurónios" no ratinho, explicou o autor do trabalho desenvolvido no Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) e publicado na revista ACS Nano.
 

O prémio distingue o trabalho que, "com as nanopartículas conseguiu uma eficiência 2.500 vezes superior relativamente ao ácido retinóico".
 

Trata-se de "induzir a diferenciação das células estaminais residentes do cérebro em neurónios para, deste modo, conseguir reparar danos que podem ser doenças neurodegenerativas como Alzeimher ou Parkinson", ou casos em que há morte de neurónios, acrescentou Tiago Santos.
 

Na década de 90, concluiu-se que havia células estaminais adultas no cérebro e que tinham capacidade de se diferenciar nos vários tipos celulares. Neste trabalho os investigadores tentaram diferenciar as células estaminais em neurónios de modo a poder usar esse aumento de diferenciação neuronal como estratégia para reparação cerebral.
 

"O problema de muitos desses fatores é que são degradados muito facilmente e são de difícil administração e para conseguir ultrapassar essas dificuldades foram desenvolvidas nanopartículas, muito, muito pequenas, que levaram ácido retinóico encapsulado", composto que consegue diferenciar as células em neurónios, mas é de difícil uso, especificou Tiago Santos.
 

Para o investigador, o prémio é importante em termos de reconhecimento do trabalho realizado e por permitir o financiamento da investigação, mas também é positivo porque "o financiamento é cada vez mais difícil, principalmente em Portugal, e é bom premiar a ciência que se faz no país, que é muito boa".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.