Dadores de fígado apresentam complicações anos após a operação

Estudo publicado nos “Annals of Surgery"

29 dezembro 2011
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As pessoas que doaram parte de seu fígado para transplante podem apresentar complicações físicas e psicológicas anos após a cirurgia, de acordo com um estudo conduzido por investigadores do Hospital Universitário Essen, na Alemanha, e publicado nos “Annals of Surgery".

 

Quase metade dos 83 dadores de fígado que participaram no estudo, com uma média etária de 36 anos, queixavam-se de dores, problemas digestivos ou depressão, três ou mais anos após a cirurgia (a média dos pacientes foi seis anos), embora todos disseram que repetiriam a doação.

 

Cerca de 31% dos dadores queixaram-se de diarreia ou de intolerância a alimentos gordurosos e 10% sofriam de refluxo gastroesofágico. Um menor número de dadores sentiu desconforto na cicatriz ou nas costelas. Além disso, três dadores relataram episódios de depressão grave, dois deles precisaram de hospitalização, e um paciente apresentou pioras da psoríase previamente existente. Por outro lado, 39 pacientes não apresentavam sintomas. No entanto, três homens jovens e saudáveis disseram que lhes tinha sido recusado realizar um seguro de vida devido aos poucos dados disponíveis sobre os efeitos a longo prazo sobre a doação de fígado em vida.

 

Neste tipo transplantes, os cirurgiões retiram um lóbulo do fígado do dador e implantam no receptor. A parte restante do fígado do dador regenera-se até chegar ao seu tamanho normal, durante um período de dois meses. "Existe um risco de aparecimento de algumas doenças a longo prazo, que podem ser potencialmente controladas, alterando os testes de diagnóstico, técnicas cirúrgicas e um seguimento exaustivo dos dadores de transplante", disse Georgios Sotiropoulos, autor do estudo e professor no Hospital Universitário Essen.

 

Os cirurgiões preferem não colocar uma pessoa saudável em risco, mas não existem suficientes órgãos disponíveis para proporcionar fígados a todos os que deles necessitam. Além disso, os órgãos de dadores vivos têm algumas vantagens, dado que, por exemplo, a doação pode ocorrer quando é do melhor interesse do destinatário.

 

Os resultados desta investigação coincidem com os de estudos anteriores, segundo Jean Emond, vice-presidente do Departamento de Cirurgia e director do centro de transplantes do New York Presbyterian Hospital / Columbia, em Nova Iorque.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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