Da aprendizagem à memória: o papel de uma proteína

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

13 junho 2013
  |  Partilhar:

Investigadores americanos descobriram de que forma a proteína Arc, que regula a atividade dos neurónios, está envolvida na formação de memórias de longa duração, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”.
 

Neste estudo, os investigadores da University of California San Francisco, nos EUA, centraram-se no funcionamento interno das sinapses, junções altamente especializadas que processam e transmitem informação entre os neurónios. A maioria das sinapses não se forma durante o desenvolvimento inicial do cérebro, mas ao longo da vida. As sinapses que estão mais ativas tornam-se mais fortes, sendo um processo essencial para a formação de novas memórias. Contudo, este processo também é perigoso, uma vez que pode conduzir à sobre estimulação dos neurónios e dar origem à ocorrência de ataques epiléticos.
 

Os neurocientistas descobriram, recentemente, que o cérebro utiliza um processo denominado por plasticidade homeostática para controlar a excitação dos neurónios. Este processo permite que os neurónios fortaleçam as novas ligações sinápticas necessárias para a formação de memórias, enquanto simultaneamente protege os neurónios de se tornarem demasiado excitados. Apesar de os investigadores não saberem ao certo como este equilíbrio era atingido, suspeitavam que a proteína Arc estivesse envolvida.
 

“Como foi inicialmente demonstrado que havia acumulação da proteína Arc nas sinapses durante a aprendizagem, os investigadores acreditavam que a presença desta proteína conduzia à formação de memórias de longa duração”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Steve Finkbeiner.
 

Contudo, este estudo apurou que a Arc se acumula nas sinapses quando os neurónios são estimulados durante a aprendizagem. De facto, os investigadores verificaram que a Arc atua como o regulador principal de todo o processo de plasticidade homeostática.
 

Os investigadores explicaram que durante o processo de formação de memória, alguns genes têm de ser reprimidos para que haja a produção de proteínas capazes de ajudar os neurónios a estabelecer novas memórias. Foi constatado que é a Arc que controla esta atividade, que é necessária para a plasticidade homeostática. Assim este processo fortalece as ligações sinápticas, sem as estimular em demasia.
 

“Esta descoberta é importante, não apenas porque resolve o mistério já há muito associado ao papel da Arc na formação de memória, como também fornece uma nova visão do processo de plasticidade homeostática”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Recentemente foi descoberto que, na doença de Alzheimer, o hipocampo, o centro da memória do cérebro, apresenta baixos níveis de Arc. “É possível que as interrupções no processo de plasticidade homeostática possam contribuir para os problemas de aprendizagem e memória observados na doença de Alzheimer”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.