Curiosidade nas crianças é sinónimo de inteligência

«Idade dos porquês» pode esconder QI acima da média

13 maio 2002
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Sente-se incomodado com as perguntas do seu filho? Se tem crianças que entraram na fase dos porquês é normal que esteja a responder afirmativamente. E, se estivesse-mos em amena cavaqueira, o mais esperado é que debitasse um conjunto de histórias onde a sua personagem principal, o seu filho, fizesse as mil e uma questões que encantam, espantam, embaraçam e até chegam a irritar os seus progenitores.
 

 

O crescimento pode, de facto, ter alguns inconvenientes, embora pense no despropósito de certas questões mais embaraçosas, a verdade, revela um estudo recente, é que a curiosidade pode ser um sinal de inteligência superior.
 

 

 

Um estudo feito por uma equipa da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, e publicado recentemente na revista especializada Journal of Personality and Social Psychology verificou que as crianças de três anos, denominadas como «ávidas por estimulação intensa», marcaram 12 pontos a mais nos testes de QI e apresentaram mais capacidade de leitura aos 11 anos, independente da profissão ou da escolaridade dos pais.
 

 

Apesar da procura por estimulação intensa ser associada pelos especialistas a dependência de álcool e drogas, ao comportamento anti-social e à inteligência inferior, as crianças mais curiosas e mais sociáveis obtiveram pontuação mais elevada nos testes de inteligência. Adrian Raine, coordenador do estudo, explicou o assunto à Reuters: «Promover a procura adequada de estímulo em crianças poderá resultar no desenvolvimento de uma habilidade cognitiva maior».
 

 

Promover a curiosidade
 

 

Desenvolver conversas estimulantes e promover uma atmosfera em que a curiosidade intelectual seja valorizada é um dos passos que ajudam a um desenvolvimento infantil saudável, apontou o investigador.
 

 

Até o momento, no entanto, ainda não está claro o motivo pelo qual as crianças activas e curiosas poderiam desenvolver habilidade académica superior durante o período escolar. Para os investigadores, estas crianças podem necessitar de um ambiente que estimule, de alguma forma, o desenvolvimento cognitivo.
 

 

Apesar destas crianças precisarem de outro tipo de estímulos do que os que lhes são oferecidos nos meios de ensino tradicionais, segundo os especialistas nem sequer será necessário colocá-las em escolas especiais. Tudo porque, explica o cientista, «as crianças que procuram estímulos carregam o seu próprio programa de estimulação, facto que poderia explicar a efectividade duradoura».
 

 

Cérebro mais desenvolvido
 

 

A actividade física que caracteriza as crianças hiper-activas e ávidas por estímulos poderá resultar numa inteligência mais elevada, dado que promove o desenvolvimento de certos nervos no cérebro, aponta o estudo. Mais. A tendência de explorar também poderá reflectir uma curiosidade subjacente que motiva a aprendizagem.
 

 

O estudo avaliou quase 1800 crianças que foram submetidas a uma bateria de testes de inteligência para medir a capacidade verbal e a habilidade espacial aos três anos.
 

 

Para tal, os cientistas pediram aos mais pequenos para que reunissem blocos de uma determinada maneira, copiassem formas, identificassem partes do corpo e classificassem vários objectos, entre outras tarefas.
 

 

Neste bloco de testes, os investigadores também avaliaram o nível de curiosidade e de sociabilidade das crianças ao determinar em que extensão exploravam uma sala cheia de brinquedos novos, como conversavam, se eram amigáveis, e como brincavam com as outras crianças.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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