Cura para o Ébola à vista?

Estudo publicado na “Annals of Internal Medicine”

14 agosto 2014
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O tratamento administrado a dois missionários norte-americanos que tinham contraído o vírus do Ébola terá sido inspirado em estudos pioneiros que remontam ao século XIX.

 

O médico Kent Brantly e Nany Writebol trabalhavam como missionários num hospital da Libéria quando foram infetados com o vírus do Ébola. Nove dias após terem começado os sintomas, o médico telefonou pela última vez à esposa para se despedir dela. No entanto, não era aquele o derradeiro adeus. Uma hora depois, graças à terapia altamente experimental intitulada ZMapp, o médico tinha retomado a respiração normal e conseguia pôr-se de pé. No dia seguinte voltou para os Estados Unidos, onde se encontra hospitalizado.

 

Os dois missionários assumiram os riscos envolvidos na terapia ZMapp, que está a ser desenvolvida nos EUA, à qual foram submetidos, pois a mesma nunca tinha sido testada em seres humanos.

 

O Ébola causa a morte a cerca de 90% das suas vítimas. Os tratamentos atuais limitam-se a cuidados intensivos. No entanto, a terapia experimental ZMapp parece promissora, considerando os resultados obtidos nos 2 missionários.

 

Scott Podolsky, professor associado de Saúde Global e Medicina Social na Harvard Medical School, EUA, considera que o novo método tem muito em comum com os métodos de tratamento de doenças que estavam a ser desenvolvidos nos finais do século XIX.

 

O soro ZMapp consiste num anticorpo monoclonal de três ratinhos. O composto foi preparado após a recolha de anticorpos criados no sangue dos ratinhos após os roedores terem sido expostos a fragmentos do vírus. Este método é muito semelhante ao da seroterapia passiva, que foi desenvolvida nos finais do século XIX.

 

Segundo Scott Podolsky, esta metodologia começou a ser desenvolvida após as descobertas dos agentes da pneumonia e difteria, por exemplo, efetuadas por Pasteur e Koch. A seroterapia foi sendo aperfeiçoada durante a primeira parte do século XX em estudos controlados sobre a pneumonia pneumocócica. A terapia revelou-se eficaz em certas estirpes da doença.

 

Apesar dos resultados considerados “milagrosos” conseguidos com os 2 missionários, é improvável que se comece a disponibilizar ZMapp para uso público sem mais estudos. No entanto, o sucesso deste tratamento é promissor para a criação de uma vacina que combata o vírus do Ébola.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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