Cuidados paliativos são a melhor prevenção da eutanásia?

Simpósio Ibérico de Enfermagem sobre "Cuidados Paliativos", Coimbra, 25 e 26 de Maio de 2001

21 maio 2001
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O debate está lançado em Portugal, especialmente numa altura em que são cada vez mais os doentes que apresentam doença avançada e incurável. Até há bem pouco tempo, a "cultura instituída" era apenas a do sofrimento. Pouco a pouco, e muitas vezes por persistência dos profissionais, surgem exemplos de que é possível minorar a dor na fase final da vida. Consolar. Porque estes doentes, como todos os outros, também têm direito à qualidade de vida. Como lidar com estes doentes? E com as suas famílias?
 

 

"Cuidados Paliativos" é um tema multidisciplinar definido pela Organização Mundial de Saúde como os cuidados totais a prestar aos pacientes na fase terminal da vida, cuja doença não responde ao tratamento curativo. Preocupa particularmente os enfermeiros, profissionais que lidam mais de perto com doentes crónicos ou em fase terminal. Na próxima sexta-feira, dia 25, inicia-se em Coimbra (Centro de Congressos dos HUC) um encontro ibérico para debater e actualizar as mais recentes problemáticas relacionadas com estes doentes crónicos.
 

 

Nuno Miranda, do Centro de Estudos de Filosofia na Medicina do IPO de Lisboa, será um dos intervenientes no encontro, tendo sido convidado para participar no painel "Fim de Vida, Eutanásia ou Cuidados Paliativos". Um debate particularmente actual, depois da Holanda ter reacendido recentemente a polémica ao aprovar a eutanásia. De acordo com este médico, "o progresso da medicina, a capacidade de prolongar a vida para além do previamente imaginável e a agressividade crescente das práticas terapêuticas veio modificar, em muito, o modo de morrer. Os corpos são ajudados por equipamentos electromecânicos, em unidades de cuidados ultra-especializadas, com duas facetas óbvias: por um lado, uma maior capacidade de tratar doentes anteriormente não tratáveis; por outro lado, a existência de quase "ciber-doentes" em que se perdem as fronteiras entre as pessoas e as máquinas". Daí o despertar das conciências para os problemas éticos.
 

 

Para Nuno Miranda, "discutir a eutanásia é discutir o direito a dispôr da vida. Será que um homem autónomo tem o direito a terminar a vida?" Ou, noutra perspectiva, "terão os doentes de depender do acaso da complicação terminal para morrerem mais cedo ou mais tarde?" O que está em causa é que da morte desejada à morte solicitada é um curto passo. O que se discute é se se deve solicitar a morte ao médico ou ao acaso.
 

 

É muitas vezes argumentado que os bons cuidados paliativos são a melhor prevenção da eutanásia; no entanto, a questão da eutanásia tem sido levantada, fundamentalmente em países com excelentes unidades de cuidados paliativos, como é o caso da Holanda ou da França.
 

 

 

Para mais informação, contacte por favor a Loja da Imagem (Sandra Joaquim), pelo Tel: 21 712 21 30 ou através do fax: 21 716 33 22 ou E-Mail: com.limagem@ip.pt

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