Cuidadores também sofrem de exaustão

Declarações do presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

07 novembro 2016
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A sobrecarga dos cuidadores informais de doentes “é equivalente” à exaustão dos médicos e enfermeiros, defendeu o presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.
 
“É muito fácil tirar os doentes do hospital e entregá-los à família, mas é preciso ter atenção ao impacto que isto gera nas famílias”, disse Manuel Luís Capelas à agência Lusa.
 
Apesar de ser “um dos grandes defensores” da ideia de cuidar dos doentes em casa, Manuel Capelas disse que para isso acontecer têm de estar reunidas as “condições adequadas”. 
 
Os cuidadores “precisam de um apoio muito permanente” para evitar que atinjam “um ponto de rutura, de desespero total, porque já não aguentam”, acrescentou.
 
O especialista equiparou a sobrecarga dos cuidadores à síndrome de exaustão (burnout) dos profissionais de saúde, uma reação ao stresse crónico no trabalho caracterizado por exaustão, despersonalização e não realização profissional.
 
“Um profissional em burnout acaba por pensar egoisticamente no seu bem-estar, é uma máquina”, mas “quem está em casa a uma dada altura rebenta e é preciso ter atenção a esta situação”, alertou.
 
O especialista em cuidados paliativos observou que muitos cuidadores passam 24 horas por dia com o doente, um tempo que os profissionais de saúde acabam por não estar.
 
“Nós saímos dos nossos turnos e temos outros escapes”, mas os cuidadores não têm, disse, alertando que “não se pode deixar em cima dos cuidadores toda a responsabilidade” sobre o doente.
 
“Não podem substituir os profissionais de saúde”, porque senão “estamos a aliviar” o sistema de saúde, mas a colocar “uma sobrecarga nestas famílias e nestas pessoas que precisam de continuar a ser apoiados”.
 
Devido ao trabalho “extremamente importante” que fazem para o sistema de saúde e para as suas famílias, precisam de ter apoio social, laboral e psicossocial.
 
Por outro lado, os profissionais de saúde “continuam a ter de ser os alicerces do sistema” e destas pessoas, para que “possam cuidar dos seus familiares, dos seus amigos, mas continuarem a ser pessoas”.
“Um apoio não é largar os familiares numa guerra, num pântano, numa selva muito complicada”, frisou, defendendo que os cuidadores precisam de formação, capacitação e apoio psicossocial para tratar do doente.
 
 ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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