Cuidadores de pacientes dependentes sofrem de depressão

Estudo “Familiares Cuidadores de Pessoas Dependentes”

20 fevereiro 2015
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Em Portugal, os cuidadores de pessoas dependentes sofrem de depressão, na maioria são mulheres (62%), têm uma média de 62 anos, muito baixa escolaridade e não recebem apoio formal do Estado português.
 

O estudo “Familiares Cuidadores de Pessoas Dependentes” constatou que os cuidadores de pessoas dependentes, doentes mentais ou com doença física, não têm absolutamente nenhuma formação para cuidar desses doentes no domicílio, são na maioria mulheres domésticas ou que abandonaram a profissão (32%) e podem sentir-se tristes, até deixarem de comer.
 

O estudo coordenado por Carlos Sequeira, professor na Escola Superior de Enfermagem do Porto e presidente da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, e ao qual a agência Lusa teve acesso, conclui também que o “Estado dá muito poucas ajudas” aos cuidadores e que mais de 70% dos cuidadores sofrem de uma “sobrecarga de trabalho”, que abrange tanto trabalho físico como emocional.
 

Para fazer face à inexistência de formação junto dos cuidadores de pessoas dependentes em Portugal, Carlos Sequeira referiu à agência Lusa que em março vai iniciar-se a aplicação de um programa piloto que vai comparar os resultados entre 100 cuidadores que vão receber formação e outros cuidadores que não vão ter qualquer formação.
 

A primeira fase do projeto foi a construção de um programa base de capacitação por peritos. A segunda fase do projeto arranca em março e vai ser aplicada a cuidadores afetos a instituições do norte, como por exemplo, o hospital de São João e Santo António, do Porto, o hospital de Matosinhos ou à Associação Alzheimer Portugal.
 

Os cuidadores vão aprender nomeadamente de que lado se deve alimentar um doente que sofreu um AVC, que exercícios deve praticar para estimular a cognição de um doente que sofre de Alzheimer, aprender como mobilizar na cama para a casa de banho, ou saber qual a quantidade de água que um acamado deve ingerir por dia.
 

O objetivo é que o programa de capacitação dos cuidadores familiares seja adotado em todas as entidades em Portugal junto de todos os cuidadores, refere Carlos Sequeira, que é também coordenador do Grupo de Investigação de Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem – CINTESIS, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
 

De acordo com Carlos Sequeira, o Estado português devia “promover a manutenção dos cuidadores no domicílio”, mas tornando-os “mais ativos" para que os doentes precisem cada vez menos de internamento e de menos fármacos.

 

Uma maioria dos cuidadores estudados sente-se triste ao final de alguns anos a tomar conta dos doentes em casa. Os cuidadores sentem também falta de vontade de comer, começam a achar que a vida não faz sentido e assumem que só se mantêm vivos, porque precisam de cuidar de alguém, esquecendo-se de cuidar de si próprios, refere Carlos Sequeira, argumentando que a formação servirá também para que os cuidadores aprendam técnicas para cuidar dos outros “mas não se esquecendo deles próprios”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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Comentários 1 Comentar

Cuidadores sem cuidados

Boa noite
Acho fantástica esta iniciativa. Realmente, nós cuidadores somos pura e simplesmente ignorados. Gostava de saber como poderia ter acesso a esta ou outras iniciativas como esta. Onde me devo dirigir?
Grata pela atenção que possam dispensar-me, envio os meus cumprimentos.
MJNobre

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