Cuidadores de crianças com paralisia cerebral receiam fim de programa de apoio

Projeto “Cuidar dos Cuidadores na Paralisia Cerebral”

09 março 2015
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Dezenas de famílias de crianças com paralisia cerebral estão em vias de perder o apoio de um projeto que visa diminuir a sobrecarga, física e emocional que advém da prestação de cuidados, dá conta uma notícia divulgada pela agência Lusa.
 
O projeto “Cuidar dos Cuidadores na Paralisia Cerebral”, que decorreu no último ano, é um projeto promovido pela Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC), em parceria com 12 Associações de Paralisia Cerebral (APC), a nível nacional, e financiado pelo Programa Operacional do Potencial Humano. 
 
Eulália Calado, presidente da FAPPC, disse à agência Lusa que a iniciativa envolveu cerca de 300 famílias, a quem foi prestado apoio, de forma a “libertar” os cuidadores da necessidade constante de prestar assistência aos filhos.
 
As crianças em causa, com elevado grau de dependência, necessitam de cuidados permanentes de profissionais altamente especializados que saibam, por exemplo, resolver uma crise de epilepsia, trabalhar com ventiladores ou fornecer alimentação.
 
Devido a esta complexidade, os cuidadores dificilmente aceitam ajuda que não seja especializada e acabam, muitas vezes, por abdicar da sua carreira profissional, enveredando por um caminho altamente desgastante, em que não faltam os casamentos acabados, como explicou Eulália Calado.
 
Anabela Martins Gonçalves, mãe de uma criança de quatro anos com doença crónica e paralisia cerebral, que já se submeteu a 18 cirurgias e esteve várias vezes em risco de vida, sublinhou a importância deste apoio, cuja continuidade reivindica.
 
“Há crianças que dependem dos seus pais 24 horas por dia, em que a mãe não consegue sair para ir tomar um café, nem abstrair-se ou distrair-se durante cinco minutos. Sim, cinco minutos descansada”, afirma.
 
Através deste projeto, muitos cuidadores conseguiram libertar-se dos filhos, ainda que durante algumas horas, o suficiente para poderem ir ao cabeleireiro, beber um café ou gozar de um jantar com o cônjuge.
 
“Sim, as crianças são importantes. E os pais que cuidam dessas crianças? Normalmente ninguém pergunta por nós”, lamenta.
 
Outra vantagem do projeto enumerada por Eulália Calado é o conhecimento que os profissionais têm do universo da criança que costumavam atender na instituição.
 
“Algumas enfermeiras disseram que, apesar de conhecerem a criança, não sabiam mais nada da sua vida e do seu universo familiar, o que conseguiram com o cuidado que lhes prestaram em casa”, disse.
 
Para Anabela Martins Gonçalves, o projeto que este mês chega ao fim é “um dos mais importantes” para estes pais.
 
Os cuidadores estão agora a movimentar-se no sentido de o projeto poder continuar, o que Eulália Calado considera possível, principalmente se o novo projeto que vão submeter à avaliação da Segurança Social for aprovado.
 
“O projeto já provou o que tinha a provar. E os pais não querem ter de voltar a perder a liberdade nem a enviar os filhos para instituições”, adiantou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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