Cuidado com o seu bebé

Perigos, recomendações e conselhos para o sono da criança...e da mamã

08 maio 2002
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Deixa o bebé dormir na sua cama? Pois, se a resposta é positiva, tenha atenção, porque pode ser perigoso e até fatal. Nos EUA, por exemplo, tem aumentado o número de mortes de bebés e crianças associado a esmagamentos e asfixia na cama dos pais.
 

 

Pelo menos 180 crianças com menos de dois anos morreram depois de serem colocadas em camas de adultos, entre 1999 e 2001, segundo dados da Comissão de Segurança do Produto ao Consumidor [CPSC, na sigla em inglês], acrescentando que a maioria das mortes aconteceu devido a asfixia.
 

 

O problema está a preocupar o Governo norte-americano que decidiu lançar uma campanha destinada a prevenir a segurança do sono do bebé.
 

 

Perigos
 

 

O objectivo da campanha nacional é alertar os pais para os potenciais riscos de um bebé dormir em camas feitas para adultos. «Empurrar uma cama de casal contra a parede ou encher as beiras da cama com travesseiros não vai proteger o bebé. Na verdade, isso coloca a criança sob risco de asfixia e compressão", relembrou o presidente do CPSC, Thomas Moore.
 

 

Os conselhos da associação também recordam que não deve deixar as crianças sozinhas em camas grandes pois podem ficar presas entre a cama e a parede, em cabeceiras, nos pés da cama ou no estrado. Mais. Deixando-as desprotegidas, as crianças também podem cair ou ser sufocadas pelos travesseiros, ederdões e cobertores, ou mesmo serem esmagadas por outras pessoas na cama.
 

 

Soninho descansado
 

 

Os primeiros meses de vida de uma criança são difíceis de ultrapassar pelos pais. Especialmente, porque quer mães como os pais mais atenciosos tendem a ficar cansados e sem tempo para repousar convenientemente.
 

 

Um estudo recente relembra uma táctica usada há muitos anos para ensinar os bebés mais agitados a dormir sozinhos e, deste modo, dar mais repouso aos pais.
 

Chamada «Técnica de choro controlado», este método consiste em deixar o bebé chorar por pequenos períodos controlados. Investigadores australianos verificaram que ensinar às mães as técnicas do «choro controlado» reduziu os problemas de sono dos bebés em dois meses. Mais do que isso. Esta técnica pode também aliviar os sintomas de depressão da mãe.
 

 

O choro controlado é uma técnica desenvolvida por Richard Ferber, um dos principais especialistas norte-americanos em problemas do sono infantil. «Os pais deixam as crianças sozinhas por períodos que vão aumentando ao longo do tempo para que os bebés aprendam a dormir sozinhos ... sem serem embalados ou alimentados pelos pais», explicou Harriet Hiscock, chefe da equipe do Royal Children's Hospital, em Melbourne.
 

 

Naturalmente, os próprios pais aplicam o ritmo do processo de choro controlado. Começa por deixarem o bebé sozinho durante dois minutos, depois quatro, seis, até poder passar meia hora ou até mais tempo.
 

 

As visitas ao quarto do bebé também não devem ser muito emotivas. Ou seja, segundo o investigador, os pais não devem acender a luz nem tirar o bebé do berço.
 

 

No entanto, esta técnica não deve ser aplicada em bebés pequenos, que normalmente acordam para mamar durante a noite. A maioria dos bebés demora cerca de dez minutos para adormecer, recorda Hiscock.
 

 

Mães também melhoram
 

 

Embora a técnica seja conhecida, este novo estudo incluiu crianças entre os seis meses e um ano com problemas de sono, tais como acordar quase todas as noites, acordar mais de três vezes por noite ou precisar de ser embalado pelo pai ou pela mãe.
 

 

Quanto às 155 mães, os investigadores avaliaram a exposição à depressão através de um teste-padrão. Algumas mulheres aprenderam o método do choro controlado e receberam informações sobre comportamento de sono infantil e administração de problemas do sono. Outras ainda receberam apenas informações sobre padrões normais de sono infantil.
 

 

Após dois meses, as mulheres que aprenderam a técnica de choro controlado relataram uma quantidade menor, ou menos grave, de problemas no sono dos seus bebé. Também as mães que tinham sintomas de depressão no início do estudo melhoraram.
 

 

Para os investigadores não existem dúvidas de que o método utilizado é um dos melhores para prevenir as depressões pós-parto. Mais barato e menos perturbador para as famílias, comparado com outras formas de tratar depressão pós-parto – tais como fármacos anti-depressivos, sublinha a equipa. A metodologia usada é de três consultas individuais com as mães com um intervalo de duas semanas, mas não deve ser utilizada por mulheres com depressão pós-parto grave.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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