Cromossoma Y: importância e longevidade refutadas

Estudo publicado na revista “PLOS Genetics”

14 janeiro 2014
  |  Partilhar:

Investigadores americanos refutam a noção de que o cromossoma Y é pouco importante e que está destinado a diminuir e desaparecer, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS Genetics”.
 

“O cromossoma Y perdeu 90% dos seus genes tendo alguns investigadores especulado que este cromossoma irá desparecer em menos de cinco milhões de anos”, explicou uma das autoras do estudo, Melissa A. Wilson Sayres. No mês passado um estudo que pôs também em causa a importância deste cromossoma.
 

No entanto, neste estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, demonstraram que os genes que foram mantidos neste cromossoma e aqueles que migraram do cromossoma X para o Y são importantes, prevendo assim que o cromossoma Y humano se vá manter durante muito tempo.
 

Tendo por base a análise do cromossoma Y de oito homens africanos e de oito europeus, o estudo apurou que os padrões de variação deste cromossoma são consistentes com a seleção natural que ocorreu, de modo a manter o conteúdo genético, muito do qual desempenha um papel importante na fertilidade masculina. O tamanho insignificante do cromossoma Y, que contém 27 genes comparativamente aos milhares presentes noutros cromossomas, é um sinal de que este ficou reduzido ao essencial.
 

O estudo refere ainda que o cromossoma Y se degradou ao longo dos últimos 200 milhões de anos e que os cromossomas Y são mais semelhantes entre si do que era anteriormente pensado. “Tem havido algum debate sobre se isto ocorre porque houve pouco machos a contribuir para gerações futuras ou se a seleção natural é a responsável pela falta da variabilidade”, referiu a investigadora.
 

Os investigadores demonstraram que esta baixa variabilidade pode ser explicada pela forte seleção natural, tendo ocorrido uma intensa pressão evolutiva no sentido de eliminar as mutações prejudiciais, ficando o cromossoma Y apenas com os seus elementos essênciais.
 

O estudo apurou ainda que os 27 genes presentes no cromossoma Y, 17 dos quais foram mantidos ao longo de 200 milhões de anos e 10 que foram adquiridos mais recentemente, são afetados pela seleção natural. A maioria dos “novos” genes estão presentes em múltiplas cópias no cromossoma e a perda de uma ou mais cópias tem sido associada à infertilidade masculina.  
 

A investigadora acrescenta ainda que estas regiões, que ainda não tinham sido realmente compreendidas até à data, são muito importantes e deveriam ser investigadas e estudadas no contexto da fertilidade.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.