Cromossoma Y ajuda a resolver crime sexual

Factor da condição masculina em discussão no Porto

07 novembro 2002
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O Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) vai receber, entre quinta-feira e até sábado, o terceiro seminário internacional dedicado ao cromossoma Y, o factor que determina a condição masculina.
 

 

Cada pessoa possui 22 pares de cromossomas (existentes em todas as células e portadores do material genético), iguais tanto nos homens como nas mulheres.
 

 

A diferenciação só acontece ao 23/o par: nas mulheres é composto por dois cromossomas X e, nos homens, por um cromossoma X e um cromossoma Y.
 

 

Por isso, os estudos em torno do cromossoma Y assumem particular relevância em análises forenses (casos de violação, por exemplo) e determinação de paternidade.
 

 

"Em termos latos, o cromossoma Y só existe nos indivíduos de sexo masculino, sendo apenas transmitido de pais para filhos, definindo linhagens masculinas", disse, em declarações à Agência Lusa, o vice-presidente do IPATIMUP, António Amorim.
 

 

No entanto, a paternidade é um parentesco muito mais discutido que a maternidade, já que são muito mais frequentes as dúvidas sobre quem é o pai de uma criança do que sobre a identidade da sua mãe, explicou.
 

 

"Só estes factos justificam logo a relevância de se estudarem características genéticas que apenas se transmitem por via masculina", indicou, acrescentando que são elas que permitem comprovar, por análise de ADN (ácido desoxirribonucleico), a paternidade.
 

 

No entanto, a sua importância é ainda maior, referiu o investigador, se se considerar que as modernas técnicas de análise de ADN permitem analisar especificamente o que é contribuição masculina (cromossoma Y), mesmo quando a amostra a analisar contém um largo excesso de material feminino, como acontece com as amostras biológicas de casos de violação.
 

 

"O estudo das características genéticas transmitidas por via masculina permite, por exemplo, comprovar se o perfil de ADN masculino encontrado na vítima corresponde ou não ao de um suspeito", continuou.
 

 

Para este tipo de análise é necessária a construção de bases de dados genéticos populacionais muito extensas, permitindo estatísticas sobre a frequência dos diferentes tipos de linhagens existentes.
 

 

A reunião que o IPATIMUP agora promove, a primeira do género em Portugal, vai fazer o balanço da situação sobre estas bases de dados e avaliar a necessidade de acrescentar novos marcadores genéticos aos já existentes, de forma a aumentar o seu poder informativo.
 

 

Os trabalhos deverão reunir cerca de 150 participantes no IPATIMUP, um instituto com o título de Laboratório Associado (do Estado).
 

 

O IPATIMUP desenvolve investigação na área da pesquisa em patologia humana, com particular ênfase na oncobiologia (cancro).
 

 

A formação de estudantes formados, técnicos, residentes e especialistas em Patologia, a difusão de conhecimento científico, o ensino de estudantes universitários, e a elaboração de diagnósticos periciais em diversos campos cobertos pelo instituto (Patologia, Oncobiologia e Genética Populacional) são outras das suas competências.
 

 

Fonte: Lusa
 

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