Crise pode afastar mulheres das consultas ginecológicas

Declarações do diretor de serviço do Instituto Português de Oncologia de Coimbra

11 abril 2012
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Numa altura em que se fala tanto da crise económica, e das privações que cada pessoa escolhe fazer, Daniel Pereira da Silva, ginecologista e diretor de serviço do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, alerta para o risco de haver cada vez mais mulheres a faltar às consultas ginecológicas de rotina, fundamentais para despiste de doenças como o cancro da mama e do colo do útero.

 

As mulheres deixam de ir às consultas ginecológicas de rotina porque “as atenções a que têm de fazer face são tão abrangentes que, muitas vezes, relegam para segundo plano os cuidados que têm consigo próprias”, revelou em comunicado de imprensa Daniel Pereira da Silva. “Há vários fatores que podem levar a que a mulher se coloque em lugar secundário na escala de prioridades: poder económico, necessidades dos filhos e outros membros da família e disponibilidade em função dos seus compromissos”, acrescentou o ginecologista.

 

Mas não parece ser por falta de informação que isso acontece. “Quando perguntamos a esse respeito, constatamos que a mulher conhece a importância da prevenção”, explica o especialista, mas ainda que o saiba “a regularidade com a mulher portuguesa o faz é mais baixa que nos países europeus mais desenvolvidos”.

 

Perante este cenário de dificuldades económicas, o responsável do IPO deixa um conselho: “Importa saber economizar onde é possível e não desvalorizar o que é essencial, nomeadamente a saúde”.

 

Daniel Pereira da Silva lembra que há rastreios nos Centros de Saúde a que a população deve recorrer. "Não há ginecologistas nos centros de saúde, mas os médicos de família estão aptos a resolver um grande número de problemas”, explica.

 

Adelaide Laranjeira, médica de família e diretora clínica do agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Odivelas, confirma. “Os centros de saúde têm meios humanos e recursos materiais para fazerem os rastreios que podem e devem ser feitos ao nível dos cuidados primários”, afirma. “Normalmente é o médico de família que pergunta se a utente tem feito as citologias e o rastreio da mama e recomenda”, explica. E esclarece: “Quando é detetado um problema, as senhoras são reencaminhadas para a consulta da especialidade no Hospital”.

 

O especialista do IPO reforça, “Não devemos deixar aos outros a parte que nos cabe em direitos e deveres. O direito à saúde é inalienável, não podemos, não devemos abdicar dele em circunstância alguma, mas temos o dever, a obrigação de sermos os principais agentes para o preservar”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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