Crise já chegou à medicina dentária

Inquérito promovido pela Ordem dos Dentistas

08 novembro 2012
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Os dentistas portugueses estão cada vez mais a trabalhar no estrangeiro e os que ficam em Portugal assistem uma redução do seu número de horas de trabalho, dá conta um inquérito promovido pela Ordem dos Dentistas.
 

Este inquérito, realizado entre setembro e outubro deste ano, que teve por base cerca de 2.900 respostas de um universo de 7.400 dentistas, apurou ainda um aumento do número de profissionais que não estão a exercer a profissão.
 

Os dados, que vão ser divulgados no Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas que começa amanhã no Porto, foram antecipados à agência Lusa pelo bastonário, Orlando Monteiro da Silva, que assume que a crise já chegou à medicina dentária.
 

“Temos a perceção de que há um aumento significativo do número de médicos dentistas a exercer no estrangeiro, apesar de o último inquérito, em 2010, não contemplar ainda esta questão”, disse Monteiro da Silva.
 

A dificuldade em encontrar emprego em Portugal e os melhores salários oferecidos noutros países são os principais motivos apontados para a emigração destes profissionais.
 

“O Reino Unido tem vindo a abrir o seu serviço nacional de saúde à medicina dentária. Acresce ainda que na Europa do Norte e Centro há falta de médicos dentistas”, justificou o bastonário.
 

Os dentistas que ficam em Portugal deparam-se com maiores dificuldades para exercer a profissão: o tempo de inserção no mercado de trabalho é cada vez maior e trabalha-se cada vez menos horas.
 

“De 2010 para 2012 a situação profissional dos médicos dentistas agravou-se substancialmente, afetando particularmente os mais jovens e os que estão a exercer a profissão há menos tempo”, sintetizou à Lusa Orlando Monteiro da Silva.
 

Segundo o inquérito realizado pela Universidade do Porto, os mais jovens são os que “têm uma probabilidade significativamente maior” de não exercer a profissão, contribuindo para engrossar os 5,6% de dentistas que estão sem trabalhar.
 

Em termos de saúde oral, estes resultados significam também que os portugueses estão a ir menos ao dentista e que vão apenas para procedimentos simples ou em casos de urgência, evitando tratamentos que implicam maior investimento.
 
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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