Crise económica inverte papéis

Filhos preocupam-se com os pais

26 setembro 2012
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A crise económica está a inverter os papéis na família, são agora os filhos que se preocupam com os pais, segundo a autora do livro "Psicologia de Família".
 

“Nota-se uma maior preocupação das crianças em relação aos pais. Há uma espécie de inversão de papéis”, revelou à agência Lusa, a especialista da Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria, Sofia Nunes da Silva
 

A terapeuta refere que “a atual situação está a obrigar a mudanças de hábitos e, para muitas famílias, esta é a primeira crise económica que estão a viver. As pessoas andam mais tensas, mais deprimidas e preocupadas”.
 

Muitos pais optam por não falar dos problemas com os filhos, numa tentativa de os proteger. Mas, para a terapeuta, esta decisão é prejudicial para as crianças, que são “esponjas que absorvem tudo”. Sem perceber bem o que se passa à sua volta, as crianças "ressentem-se".
 

“Os não ditos são prejudiciais”, alerta a especialista, lembrando que os filhos podem mesmo sentir-se culpados pelo ambiente familiar e pelas alterações de rotina.
 

“Os miúdos têm direito a ser esclarecidos dos tempos diferentes que estão a viver e das mudanças que têm de fazer. Para as crianças é bom sentirem-se úteis e até pensarem o que poderão fazer para ajudar os pais”, defende a psicóloga clínica, que entende que a partir dos cinco ou seis anos é benéfico falar com os filhos sobre o que se passa, "sem colocar um ar dramático”.
 

Sofia Nunes da Silva refere que chegam cada vez mais casos associados à crise económica às suas consultas. E depois de anos a apoiar as famílias que frequentam as suas consultas no Santa Maria e no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, a terapeuta sentiu “necessidade de chegar a mais pais”. A solução encontrada foi escrever um livro que abordasse alguns dos problemas que afetam a maioria das famílias.
 

Defensora de que “não existe uma única forma de educar”, a autora de “Psicóloga de Família” dá conselhos, exemplos práticos e pistas para ajudar a pensar sobre questões como o “nascimento dos filhos, a educação, as birras, a escolaridade ou a crise conjugal”.
 

“Há fases mais exigentes que são comuns às famílias e, por vezes, os pais sentem-se perdidos e questionam-se muito. É bom saber que essas não são dificuldades exclusivas de um pai ou de uma mãe, porque ajuda a relativizar as coisas”, explica a autora do livro.
 
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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