Crise afetou mais saúde mental dos desempregados e idosos

Projeto “Smaile”

23 março 2016
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A crise teve impacto na saúde mental dos portugueses, particularmente nos desempregados, idosos e pessoas com baixos rendimentos, dá conta o projeto “Smaile”.
 

O projeto “Smaile”, coordenado pelo Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra, incluiu dois estudos. Um desses estudos, que analisa as consultas e internamentos em serviços de psiquiatria nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, apurou que, entre 2007 e 2012, registou-se um aumento de consultas em psiquiatria nos solteiros (45%), viúvos (30%), desempregados (63%), estudantes (63%), reformados (27%) e nas pessoas sem atividade (38%).
 

Segundo a notícia avançada pela agência Lusa, registou-se ainda um aumento de consultas de psiquiatria em ambos os géneros, especialmente nos grupos etários dos 30 aos 49 anos e com mais de 65 anos.
 

O estudo apurou que, no mesmo período, houve um incremento de internamentos para o grupo etário dos 50 aos 64 anos (17,7%), para o grupo dos divorciados (19,2%) e para os desempregados (43%).
 

A psiquiatra e uma das investigadoras do estudo, Graça Cardoso, sublinha que "em momentos de crise, há que garantir serviços e apoios para minimizar" os efeitos da mesma, afirmando que em Portugal "cortou-se a eito, com pouco cuidado e deixando desprotegidas as pessoas que já estavam mais vulneráveis".
 

De acordo com a investigadora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, seria necessário um reforço dos serviços de saúde mental na comunidade e de cuidados primários, acompanhado por "políticas sociais dirigidas para os grupos mais vulneráveis".
 

Um dos estudos, que consistiu num questionário a 1.066 pessoas de Amadora, Lisboa, Mafra e Oeiras, feito entre 2014 e 2015, conclui que os inquiridos com rendimentos mais baixos e em situação de desemprego registam pior saúde mental.
 

Além dos rendimentos e da condição perante o trabalho", existem outros fatores identificados neste inquérito que influenciam a saúde mental da população, refere a investigadora.
 

As pessoas "do sexo feminino, com menor escolaridade, sem atividade física, com excesso de peso ou obesidade, com familiares desempregados, que expressaram ter dificuldades em pagar despesas, revelam maior risco de pior saúde mental", concluiu Paula Santana.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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