Criatividade, esquizofrenia e doença bipolar partilham genes

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

12 junho 2015
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Os genes associados à criatividade podem aumentar o risco de desenvolver esquizofrenia e doença bipolar, defende um estudo publicado na revista ”Nature Neuroscience”.


Apesar de a criatividade ser, em termos científicos, difícil de definir, os investigadores consideram uma pessoa criativa como alguém que adota novas abordagens que envolvem processos cognitivos diferentes do pensamento ou expressão predominante. A esquizofrenia e transtorno bipolar são doenças do raciocínio e das emoções, o que significa que os pacientes apresentam alterações no processamento cognitivo e emocional.


Já há algum tempo que se sugeriu que a criatividade e a psicose apresentam algumas semelhanças, com exemplos notáveis de artistas, como Vincent Van Gogh, que sofriam de doenças psiquiátricas. Estudos anteriores demonstraram que os transtornos psiquiátricos, particularmente a doença bipolar, tendem a ser encontrados nas mesmas famílias onde as profissões criativas são comuns. No entanto, até à data, não tinha sido possível identificar se isto era simplesmente devido a fatores ambientais compartilhados ou à condição socioeconómica.


De forma a tentar elucidar um pouco mais esta temática, os investigadores do King's College London, no Reino Unido, analisaram as pontuações de risco genético de 86.292 indivíduos. Os indivíduos criativos foram definidos como aqueles pertencentes às sociedades artísticas nacionais de atores, bailarinos, músicos, artistas visuais e escritores.


O estudo apurou que as pontuações de risco genético para a esquizofrenia e doença bipolar eram significativamente maiores nos indivíduos considerados criativos do que entre população em geral.


Estes resultados corroboram a influência direta dos fatores genéticos na criatividade, contrariamente ao efeito de partilhar um ambiente com pessoas com esquizofrenia ou transtorno bipolar.


"Pouco se sabe sobre as vias biológicas subjacentes que levam à maioria dos transtornos psiquiátricos. Uma ideia que tem vindo a ganhar credibilidade é que estes distúrbios refletem extremos do espectro normal de comportamento humano, em vez de uma doença psiquiátrica distinta. Ao saber que comportamentos saudáveis, como a criatividade, partilham a sua biologia com doenças psiquiátricas, temos uma melhor compreensão dos processos que levam um indivíduo a ficar doente e como o cérebro pode estar a ser afetado”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Robert Power.


"Os nossos resultados sugerem que as pessoas criativas podem ter uma predisposição genética para pensar de forma diferente, o que, quando combinado com outros fatores biológicos ou ambientais nocivos, pode conduzir à doença mental”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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