Criar mosquitos com alterações genéticas para erradicar a malária

É a proposta de um grupo de investigadores americanos

04 setembro 2001
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A malária (também conhecida como dengue ou febre amarela) é uma doença infecciosa causada por um protozoário unicelular do género Plasmodium sp., que destroi os glóbulos vermelhos, tornando as pessoas anémicas. Esta doença é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles sp., por transfusão de sangue ou, mais dificilmente, por partilha de agulhas e seringas infectadas por Plasmodium sp. Esta doença afecta milhões de pessoas, principalmente em zonas rurais, nos continentes africano e sul americano.
 

 

Agora, um grupo de investigadores da Universidade da Califórnia nos Estados Unidos tem uma proposta arrojada para a erradicação da malária: modificar geneticamente uma das espécies (não especificada) que transmite a malária. Esta alteração seria ampliada a toda a espécie (e não apenas a alguns indivíduos) bloqueando a transmissão da doença através do respectivo vector, neste caso as fêmeas de Anopheles sp.
 

 

Existe uma grande confiança no meio científico na modificação genética dos vectores (organismos transmissores) como forma de controlo de doenças como a malária.
 

 

Até agora a propagação de alterações genéticas em espécies animais era algo que só a evolução era capaz de fazer ao longo de milhões de anos de selecção natural. No entanto, os investigadores da área da engenharia genética pensam que é possível transformar a espécie de mosquito portadora da doença de modo que as fêmeas não sejam portadoras da doença. De acordo com os investigadores envolvidos neste projecto, esta “nova espécie” poderá estar pronta para ser libertada no meio ambiente dentro de 25 anos.
 

 

Relativamente a este trabalho, Tony James, coordenador da investigação, afirma: “Não estamos a falar da substituição de mosquitos selvagens por mosquitos criados em laboratório... Estamos a falar de propagar um gene numa população selvagem. É uma ideia ambiciosa.”
 

 

Nos trabalhos que já realizaram no laboratório, os cientistas já conseguiram inserir nas fêmeas de uma espécie de Anopheles sp., um gene que impede que estes insectos reunam no seu organismo as condições que permitem a sobrevivência do protozoário causador da malária. Assim, o agente etiológico (causador) desta doença já não é transmitido através das picadas das fêmeas de mosquito.
 

 

A malária é transmitida por cerca de sessenta das 380 espécies de Anopheles sp. A modificação genética de uma das espécies implica a libertação de insectos portadores da alteração genética em muitos locais de modo a espalhar o gene alterado pelas várias populações regionais da mesma espécie.
 

 

Do ponto de vista ético, esta abordagem não deixa de criar controvérsia. Uma voz da Escola de Medicina Tropical em Liverpool, Inglaterra, já se pronunciou. Trata-se de Steven Sinkins que já se manifestou contra a intervenção humana no genoma de espécies selvagens, classificando-a como “errada e anti-natural”. Tony James, contrapõe estas afirmações dizendo que “...este método é tão anti.natural como as tentativas falhadas de controlo das populações de Anopheles sp. através da utilização maciça de insecticidas.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: The Guardian

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