Crianças são mais pressionadas por pais e professores

A culpa é da crise?

02 outubro 2012
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Os pais e os professores estão a aumentar cada vez mais a pressão que exercem sobre as crianças para serem “alguém no futuro”, sufocando-as com exigência e contribuindo para desencadear perturbações obsessivo-compulsivas, e isto devido à crise, constata a investigadora Maria José Araújo.
 

“A maioria das crianças tem imensos trabalhos para casa (TPC) para fazer depois do horário escolar e sentem-se sufocadas com a pressão dos pais, da escola, mas também dos centros de estudo e do ATL (atividades de tempos livres), que não compreendem que depois das aulas elas precisam de brincar. Com a crise, a pressão está a aumentar imenso”, disse à agência Lusa a investigadora com experiência de trabalho com crianças nesta área.
 

Para Maria José Araújo é necessário refletir sobre a angústia dos pais, sobre o que significa a excelência e o sucesso, já que as crianças são diferentes e têm ritmos de vida que devem ser respeitados.
 

A noção de que se as crianças trabalharem muito hoje vão ser alguém no futuro não tem, no contexto atual, grande sustentação, além de se ter tornado numa pressão social.
 

“O discurso é toda à volta do sucesso, sem se explicar muito bem de que sucesso estamos a falar. E isto exerce uma pressão enorme. Os pais pressionam os filhos, os professores pressionam os alunos e a sociedade pressiona as crianças”, afirma a especialista.
 

Segundo Maria José Araújo, alguns pediatras e psicólogos têm mostrado muita preocupação com esta situação, relatando atitudes de cansaço e angústia nas crianças e comportamentos de grande mal-estar que desencadeiam stress ou depressão.
 

“O receio alimentado pelo espetro do desemprego e pela incerteza económica tem aumentado brutalmente. E aumenta a pressão sobre os pais, que exercem mais pressão sobre as crianças”, nota Maria José Araújo.
 

O pediatra Mário Cordeiro defende que o objetivo do sistema de ensino não deve ser “começar a formar cavalos de corrida para a retoma económica”.
 

“O objetivo deve ser ensinar, dar informação que permita formar conhecimento, transmitir sabedoria, dar instruções práticas para situações concretas, desenvolver a capacidade de pensar, raciocinar, refletir, dialogar”, declarou à Lusa.
 

O sistema, diz Mário Cordeiro, deveria tentar que cada aluno sinta brio e vontade de ser melhor e não, como nos quadros de honra e rankings, o melhor de todos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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