Crianças que veem muita televisão apresentam maior risco de obesidade

Estudo da Universidade de Coimbra

09 julho 2013
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As crianças que passam mais tempo a ver televisão apresentam um maior risco de obesidade e tensão arterial alta, revela um estudo liderado por Cristina Padez, da Universidade de Coimbra.

 

O estudo envolveu 17.424 mil crianças de jardins-de-infância e de escolas de várias regiões do país, com idades entre os três e os 11 anos. A pesquisa pretendia avaliar a alteração dos valores de obesidade infantil da população portuguesa, de 2002 a 2009, e conhecer a associação entre a obesidade infantil e os comportamentos familiares, hábitos sedentários e o ambiente onde vivem.

 

Num comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso, a coordenadora do estudo explica  que a televisão tem o maior impacto no excesso de peso e no aumento da tensão arterial, “pelo facto de as crianças estarem mais expostas a publicidade de produtos alimentares, induzindo-as à ingestão de comida normalmente pouco saudável”.

 

“Por outro lado, a televisão é mais passiva. O computador e os jogos eletrónicos exigem mais concentração e interação”, sublinha a investigadora.
O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), determinou a percentagem de crianças que passam mais de duas horas por dia em frente ao televisor, ultrapassando os limites considerados de referência (pela Academia Americana de Pediatria): 28% de meninos e 26% de meninas veem mais de duas horas de televisão por dia durante a semana. Mas, ao fim de semana, a percentagem dispara – 75% nos meninos e 74% nas meninas.

 

“É urgente corrigir este e outros hábitos errados para que não se perpetuem nem tenham implicações sérias na idade adulta. Os hábitos criados na infância tendem a prolongar-se para a vida adulta. Nos adultos encontramos uma forte associação entre o tempo que eles veem televisão e valores de obesidade, hipertensão arterial, diabetes tipo II, entre outros problemas”, diz a investigadora.

 

Cristina Padez diz igualmente que o “simples facto de uma criança ser obesa apresenta três problemas: em 60% dos casos as crianças obesas apresentam já pelo menos um fator de risco que normalmente apenas se associa aos adultos, como hipertensão, colesterol elevado, triglicéridos; cerca de 40% permanece obesa na vida adulta e, mesmo as crianças que normalizam o seu peso com o crescimento, o simples facto de terem sido obesas é um risco para o aparecimento de algumas doenças, principalmente cardiovasculares, na vida adulta”.

 

Por isso, o estudo alerta que “os pais devem limitar o tempo de televisão e estimular as brincadeiras ativas”. Além disso, a investigação avaliou ainda a “relação entre o ambiente onde as crianças vivem e o excesso de peso”. “O tipo de lojas, supermercados ou centros comerciais da zona de residência foi analisado, bem como a existência, ou não, de locais para a prática de atividades ao ar livre”, refere a nota da Universidade de Coimbra.

 

Igualmente analisada, foi também a segurança junto à habitação, porque, realça Cristina Padez, “a segurança das zonas frequentadas pelas crianças junto à habitação e à escola pode ter influência no peso. Nas sociedades urbanas, por questões de segurança, as crianças têm poucas atividades ao ar livre. Ficam em casa, veem mais televisão e maior é o risco de serem obesas”.

 

Este estudo sociodemográfico da obesidade infantil confirmou ainda a associação entre o grau de instrução dos pais e o peso das crianças: “Quanto menor é o grau de ensino, maior é o valor de obesidade”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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