Crianças portuguesas ingerem sal acima das recomendações

Estudo da Universidade do Porto

01 junho 2015
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A maioria das crianças portuguesas ingere sal acima das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e 25% consome quantidades “astronómicas” que chegam a triplicar os valores aconselhados, dá conta um estudo da Universidade do Porto.
O estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso, indica que 93% das crianças ingere mais sal do que é recomendado pela OMS e que 54% ingere sal acima do máximo tolerável, tendo apenas 8% das crianças ingerido as quantidades de potássio (legumes e fruta) necessárias.
 

O coordenador do estudo da Universidade do Porto, Pedro Moreira, referiu que o "campeão do consumo excessivo" de sal foi um menino que consumiu 15 gramas de sal e uma menina que chegou a 17 gramas de sal.
 

“São valores absolutamente astronómicos (…). Para além destes 93% estarem a ingerir sal acima dos valores recomendados pela OMS, há 25% de crianças que consomem quantidades astronómicas de sal”, ou seja 12,5 gramas os rapazes e 11,7 ou mais as raparigas, referiu o especialista.
 

A ingestão de sal recomendada pela OMS é “até cinco gramas por dia”, mas há crianças em Portugal a consumir 17 gramas de sal por dia, ou seja o triplo dos valores aconselhados.
 

O estudo, que contou com a colaboração da Direção Geral da Saúde e foi solicitado pela OMS, contou com a participação de 163 crianças (81 meninos), com idades entre oito e dez anos e a frequentar escolas públicas do ensino básico do Porto. A avaliação foi feita com base na recolha de urina durante 24 horas e respetivo doseamento de sal (sódio), tendo sido também avaliado o consumo de potássio, que se encontra nos legumes e fruta e contraria os efeitos indesejáveis do excesso de sal.
 

Em termos globais, os resultados estavam “maus nas duas vertentes: sódio a mais que é a parte má do sal, e os valores de ingestão de potássio eram muito baixos”, ou seja, as crianças estão a comer poucos legumes e frutas para combater os malefícios do sal, disse o investigador.
 

Pedro Moreira, professor e diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, alerta para o perigo de as crianças consumirem sal em excesso, pois podem transformar-se em crianças com maior “vulnerabilidade a mais pressão arterial, que depois evoluem para um maior risco de hipertensão arterial e respetivas doenças associadas”.
 

Estudos recentes indicam que há um consumo excessivo de sal na região europeia, sendo estimado que a redução da ingestão de sal, pela metade, levaria a uma queda dramática na doença cardíaca coronária.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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