Crianças «materialistas» mais propensas à depressão

Estudo lança alerta a pais e educadores

21 julho 2003
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«Não se tem o que se quer, mas antes o que se pode». Embora seja uma máxima plena de senso comum, muitos adultos nunca convivem pacificamente, nem aceitam, o facto de não ter nem ser o que sempre ambicionaram para a sua vida. Segundo um novo estudo, estes sentimentos de frustração podem começar na infância e, quando não contrariados, levar a estados de depressão.
 

 

As crianças que equiparam a felicidade ao dinheiro e a fama à beleza são mais propensas a sofrer desta doença, considerada uma verdadeira epidemia do nosso século, do que outras que não dão tanto valor à riqueza e à aparência, de acordo com um estudo realizado na Austrália.
 

 

Para Helen Street, pediatra do Queen Elizabeth Medical Centre, de Perth, disse numa conferência sobre psicologia, na Grã-Bretanha, que o fenómeno pode ser notado até mesmo em crianças de quatro anos, acrescentando que até 20 por cento correm o risco de sofrer da doença no futuro.
 

 

Ainda de acordo com Street, estas ideias-feitas, numa fase da vida tão precoce, sobre felicidade e objectivos poderiam ser um indício, em crianças pequenas, de sua vulnerabilidade à depressão. «As crianças que pensam que o dinheiro e popularidade trazem a felicidade correm um risco maior de depressão do que aquelas que acreditam que o dinheiro pode ser uma coisa boa de ter, mas que a sua felicidade vem de seu desenvolvimento pessoal», declarou a especialista.
 

 

O estudo foi realizado com 402 crianças australianas, com idades entre nove e 12 anos. A equipe liderada por Street identificou 16 crianças com sinais de depressão clínica e 112 em risco de sofrer de depressão no futuro. Estes meninos e meninas foram incentivados a revelar os seus principais objectivos na vida e o que as tornaria felizes. Boas relações com a família e amigos e sentir-se bem consigo próprias apareceram entre os principais objectivos.
 

 

Mas quase 12 por cento disseram que ter muito dinheiro era a coisa mais importante. Essas crianças foram, também, as que apresentaram maior propensão a sofrer de depressão, de acordo com a especialista.
 

 

Street aconselhou os pais a permanecer alerta para os possíveis sintomas de depressão em crianças, que incluem mudanças nos hábitos alimentares e de sono, irritabilidade e perda de interesse na escola, nos amigos e nas actividades favoritas.
 

 

Os pais devem também, segundo a especialista, ajudar os seus filhos a compreender o que é mais provável que as faça felizes na vida e que nem tudo gira em torno de fama e dinheiro.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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