Crianças maltratadas apresentam alteração da actividade cerebral

Estudo publicado “Current Biology”

12 dezembro 2011
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As crianças vítimas violência doméstica apresentam o mesmo padrão de actividade cerebral que o observado nos soldados expostos ao combate, dá conta um estudo publicado no “Current Biology”.
 

Os maus tratos são conhecidos por ser um dos mais importantes factores de risco ambientais associados com a ansiedade e a depressão. Contudo, de acordo com o líder do estudo Eamon McCrory, da University College London, no Reino Unido ainda pouco se sabe como é que estas adversidades aumentam a vulnerabilidade das crianças para problemas mentais futuros.
 

Para este estudo os investigadores submeteram os cérebros de 43 crianças, metade das quais tinham sido alvo de violência doméstica documentada, a uma ressonância magnética funcional para investigar qual o impacto que os abusos físicos e a violência doméstica tinham nas crianças. No momento da realização deste procedimento as crianças visualizaram fotografias de faces de indivíduos, tristes, calmos ou zangados.
 

O estudo revelou que o cérebro das crianças que tinham sido expostas à violência doméstica respondia de forma diferente perante a visualização das faces zangadas versus tristes. As crianças com antecedentes de abuso apresentaram uma maior actividade em duas zonas específicas do cérebro, a ínsula anterior e a amígdala, que estão envolvidas na detecção da ameaça e na antecipação da dor.
 

De acordo com Eamon McCrory, estas alterações não reflectem danos cerebrais. Pelo contrário, estes padrões representam uma forma do cérebro se adaptar a ambientes difíceis ou perigosos. Contudo, estas alterações podem posteriormente produzir uma maior vulnerabilidade ao stress.
 

O investigador revela que “estes resultados chamam a atenção para a importância do impacto que pode ter para uma criança viver numa família caracterizada pela violência. Mesmo que uma criança não demonstre sinais de ansiedade ou depressão, estas experiências podem ter efeitos mensuráveis a nível neuronal”.
 

“O próximo passo será tentar perceber quão estáveis são estas alterações. Nem todas as crianças expostas à violência doméstica desenvolvem problemas mentais, muitas conseguem dar um salto para trás e ter uma vida de sucesso. Queremos saber muito mais sobre esses mecanismos que ajudam as crianças a ficarem resistentes”, conclui Eamon McCrory.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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