Crianças iraquianas vão ficar com traumas de guerra

Unicef alerta para situação e propõem soluções

02 abril 2003
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Pelo menos 500 mil crianças iraquianas, que se vêem mergulhadas na guerra, podem ficar com traumas tão sérios que necessitarão de apoio psicológico no futuro, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
 

«Acredito que crianças de Basra, Najaf, Karbala e Bagdad precisarão de reabilitação psicológica quando voltarmos ao país», disse na sexta-feira um porta-voz do Unicef, Carel de Rooy.
 

 

O funcionário referiu-se às cidades iraquianas que têm sido alvos dos mais intensos bombardeamentos aéreos ou de combates desde o início da guerra liderada pelos Estados Unidos para derrubar o regime do presidente Saddam Hussein.
 

 

Embora o Unicef não tenha investigações nem estudos sobre os potenciais efeitos nas crianças, De Rooy relatou que um rapaz de nove anos, filho de um funcionário da instituição em Bagdad, teve de ser sedado depois das janelas da sua casa se terem partido, durante um bombardeamento.
 

 

«Isso é um exemplo. Não sabemos o que encontraremos quando voltarmos, mas suspeitamos que poderá haver um número grande de crianças traumatizadas», acrescentou.
 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou a preocupação sobre os efeitos psicológicos da guerra em crianças, idosos e em pessoas incapacitadas, física e mentalmente.
 

 

De Rooy disse que o Unicef tem experiência em técnicas para ajudar crianças a encontrar o equilíbrio mental depois dos conflitos, tal como já como ocorreu em Timor Leste e Moçambique, ou em situações de desastres naturais.
 

 

O principal objectivo dos programas de apoio é conduzir as crianças a uma nova integração na sociedade com normalidade e que possam voltar à escola.
 

 

A maioria apresenta melhoras em seis meses, depois de algumas sessões com psicólogos, mas cerca de um por cento necessita de terapias individuais, declarou De Rooy.
 

«Isso custa cerca de 20 dólares por criança. Se tivermos os recursos, poderemos levar a essas pessoas o que foi feito em outras partes do mundo e aplicar a experiência em grande escala, no Iraque», completou.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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