Crianças do Grande Porto têm carência de iodo

Estudo da Universidade do Porto

24 agosto 2016
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Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) constatou que cerca de 37% das crianças do Grande Porto apresentam carência de iodo, "um nutriente essencial para o desenvolvimento cognitivo".
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 2.018 crianças, com idades compreendidas entre os seis e os 12 anos, de 83 escolas do Grande Porto, do Tâmega e de Entre Douro e Vouga.
 

O “IoGeneration”, que teve a duração de um ano, foi liderado por uma equipa do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) da FMUP, contando com a colaboração da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU) e da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Noruega (NTNU).
 

Conceição Calhau, coordenadora do projeto, referiu à agência Lusa que as crianças do Grande Porto, comparativamente às das outras duas regiões, correm "50% mais risco de sofrer carência de iodo", não tendo sido identificados os motivos para tal.
 

A avaliação aos alunos foi realizada através de testes de coeficiente de inteligência (QI), da análise da urina e de amostras de sal que levaram para a escola. Verificou-se que no norte do país, 29% dos rapazes e 34% das raparigas apresentam níveis deficitários de iodo.
 

Segundo a investigadora, as escolas ignoraram a indicação da Direção-Geral de Educação que, em 2013, com base em estudos realizados anteriormente, orientava para a utilização de sal iodado na preparação das refeições escolares. Das monitorizadas, "nenhuma estava a usar sal com iodo no momento da avaliação".
 

O IoGeneration revelou que 68% dos pais inquiridos "nunca tinha ouvido falar de sal iodado" e, quando questionados sobre o produto utilizado em casa, 35% não sabia se continha iodo, enquanto 8% indicou usar sal enriquecido com esse nutriente. No entanto, após verificação, os investigadores concluíram que "menos de um quinto" (17%) destes últimos usava, de facto, este tipo de sal.
 

Um estudo sobre a falta de iodo na gravidez, igualmente anterior ao “IoGeneration”, mostrou que as grávidas avaliadas revelavam uma deficiência "muito grande" do nutriente.
 

No sentido de combater essa carência, também a Direção-Geral da Saúde, em 2013, elaborou um documento sobre a necessidade de as grávidas tomarem um suplemento de iodo, da mesma forma que recorrem à suplementação do ácido fólico.
 

Para a investigadora, este método não resultou como o previsto devido ao "ceticismo dos médicos em relação à prescrição da suplementação do iodo", ao facto de as grávidas só irem à primeira consulta quando o feto já tem seis ou mais semanas e de, muitas vezes, as que recorrem a esse suplemento serem, normalmente, as que menos necessitam.
 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apela à fortificação do sal com iodo para o consumo humano, medida já implementada em outros países, mas à qual Portugal apresenta "muita resistência" devido à "preocupação do uso excessivo de sal", referiu ainda.
 

A FMUP referiu, em comunicado, que o iodo, presente em alimentos como a cavala, o mexilhão, o bacalhau, o salmão, a pescada, o camarão, o leite e os ovos, é um "microelemento essencial à síntese das hormonas da tiroide e ao pleno desenvolvimento neurológico”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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