Crianças desenham dores de cabeça

Representação da doença no papel ajuda diagnóstico

06 março 2002
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Os desenhos podem revelar muito da vivência das crianças, mesmo quando o desenvolvimento intelectual não permite a exteriorização verbal dos acontecimentos. Por isso, este método é usado por psicólogos e psiquiatras para ajudar a ultrapassar problemas que atingem os mais pequenos.
 

 

Mas as imagens «naifs» das crianças também podem ajudar como meio de diagnóstico de outros problemas. Um menino de 10 anos, que sofria de enxaquecas, desenhou uma pessoa com sobrancelhas franzidas, enquanto uma bateria tocava dentro de uma grande cabeça. Uma outra criança de 9 anos, que também padecia de dores de cabeça, desenhou um martelo a bater contra o topo de uma cabeça.
 

 

Estes foram apenas dois dos desenhos elaborados por 226 crianças que se queixavam de dores de cabeça. Este novo estudo norte-americano concluiu que as imagens ajudam os médicos a diagnosticar melhor as enxaquecas.
 

 

Com a análise dos desenhos, em cada nove de 10 casos, os neurologistas chegaram aos mesmos diagnósticos feito por um médico que utilizou exames clínicos tradicionais.
 

 

A identificação do problema é dificultada pelo facto de não haver um exame definitivo, disse Carl Stafstrom, um neurologista da Universidade de Wisconsin que liderou o estudo.
 

 

O diagnóstico, segundo explico o especialista à CNN, é feito com base nos sintomas do paciente, bem como o histórico de saúde, mas está sempre sujeito ao critério médico.
 

 

Mas o problema surge porque as crianças têm frequentemente dificuldades em expressar verbalmente os sintomas, facto que os desenhos podem ajudar a colmatar.
 

 

Melhor diagnóstico, melhor tratamento
 

 

O estudo, publicado na revista Pediatrics, refere a importância de um diagnóstico preciso. Isto porque, os tratamentos variam de acordo com a causa da dor de cabeça.
 

 

O diagnóstico torna-se também verdadeiramente útil para uma prescrição correcta da medicação. «As enxaquecas, por exemplo, são tratadas com fármacos vendidos sob prescrição médica, mas os analgésicos comuns são normalmente suficientes para dores de cabeças provocadas por tensão», explicou o responsável.
 

 

Ferramenta de diagnóstico
 

 

No estudo em questão foram analisadas crianças entre os 4 e os 19 anos e encaminhados para a clínica de neurologia da Universidade Tufts. Todas elas fizeram desenhos os quais representavam as suas dores de cabeça.
 

 

Os neurologistas classificaram os desenhos como sendo ou não relativos a enxaqueca e compararam-nos com os diagnósticos clínicos apresentados por outro médico.
 

Os desenhos que correspondiam à enxaqueca - em geral os que incluem martelos - coincidiam com os diagnósticos clínicos em 87 por cento dos casos.
 

 

Os desenhos menos específicos - como o produzido por uma rapariga de 17 anos, que mostrava uma cabeça a ser espremida por uma corda - não representavam enxaqueca, mas dores de cabeça causadas por tensão. Esses trabalhos coincidiram com os diagnósticos de não enxaqueca em 91 por cento dos casos.
 

 

O investigadores alertam que os desenhos não devem, no entanto, ser a única ferramenta de diagnóstico, mas podem ser feitos na sala de espera, enquanto os doentes aguardam o atendimento médico.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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