Crianças de nível socioeconómico mais baixo comem menos fruta

Projeto europeu EPHE financiado pela OMS

30 janeiro 2015
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Em média, as crianças portuguesas comem diariamente mais fruta do que as de seis outros países europeus. Contudo, as crianças pertencentes a famílias de um nível socioeconómico mais baixo comem menos, de acordo com dados do estudo do projeto europeu EPHE, financiado pela Comissão Europeia e apoiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

O estudo coordenado em Portugal pela Faculdade de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto (FCNAUP) com a Direção-Geral de Saúde e desenvolvido na Maia tem como “principal objetivo avaliar o impacto de intervenções de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de atividade física na redução das desigualdades sociais na saúde, em crianças em idade escolar dos seis aos nove anos”.
 

“As crianças portuguesas foram as que apresentaram consumos mais elevados de fruta, comparativamente com as restantes crianças europeias que integram este projeto. Em média, as crianças portuguesas consomem fruta pelo menos uma vez por dia. No entanto, verificaram-se diferenças significativas no consumo de fruta em função do estatuto socioeconómico dos pais”, refere o comunicado da EPHE, que abrange Bélgica, Bulgária, França, Grécia, Holanda, Portugal e Roménia e ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Apesar de o resultado do consumo seja de “destacar pela positiva”, a investigadora da FCNAUP Maria João Gregório disse à agência Lusa que isto significa que uma criança que pertença a um nível socioeconómico mais baixo come menos fruta do que uma criança de famílias de um nível socioeconómico superior.
 

Maria João Gregório acrescentou que se verificou ainda que “as crianças portuguesas, que pertencem a famílias com nível socioeconómico mais baixo, têm uma frequência de consumo de refrigerantes e de sumos de fruta maior do que as de famílias de nível socioeconómico mais elevado”.
 

O projeto, na Maia, decorre no âmbito da iniciativa “Maia Menu Saudável” e englobou 240 crianças e respetivas famílias. Através de questionários, em três anos consecutivos, o objetivo é compreender se o desenvolvimento do projeto foi bem-sucedido na alteração de consumos, para reduzir as desigualdades sociais na saúde.
 

“O que nós sabemos é que as estratégias de promoção da saúde têm mais impacto nos indivíduos que têm um nível socioeconómico mais elevado”, disse Maria João Gregório.
 

O comunicado refere ainda que, “no que diz respeito ao consumo de hortícolas, independentemente do estatuto socioeconómico da família, as crianças incluídas neste estudo apresentam uma frequência de consumo de hortícolas de, em média, duas a quatro vezes por semana”, embora “quase 30% das famílias com nível educacional mais baixo referiram que as crianças consomem salada menos do que uma vez por semana”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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